sábado, 30 de maio de 2015

BARAFUNDA DA PERTURBAÇÃO URBANA III


Sob a ótica da minha fiel Nikon, oriunda das longínquas regiões nipônicas, faço registros urbanos francos e despretensiosos. Me agrado pelo desordenado criterioso, ou seja, aquela bagunça citadina proposital; traços desalinhados que ministram um sistema categórico e funcional. É o tal "certo por linhas tortas", mas eu trocaria o criador pela criatura. Apesar de sintético, eu vejo muita humanidade nisso. Fruto de nossas mãos... de nossos objetivos. Cantiga funcional e visual, apologia ao materialismo dos sonhos, onde, nos escombros naturais, recriamos a poesia criativa. Betão espesso, palpável, tangível, direcionado e eficaz.

- Charles Tôrres

quinta-feira, 28 de maio de 2015

EL DORADO
E o sol se ausenta da Grande BH, tocando delicadamente com seus dourados raios o bairro Eldorado, no Vetor Oeste da região metropolitana.
- Charles Tôrres

quarta-feira, 27 de maio de 2015

UM VELHO PÁSSARO


E eis que, em minha humilde inocência, achando não ser mais possível me impressionar com as peculiaridades da nossa extensa região metropolitana, me deparo com um avião sucateado em plena Babita Camargos, encravado no hexágono industrial de Contagem. Tá, um avião não é nada impressionável no mundo contemporâneo, desde que ele esteja em seus ambientes naturais, ou seja, no ar ou na pista de pouso/decolagem. Nos três aeroportos da Grande BH eles são inúmeros e incontáveis, de todos os tamanhos e origens. Mas na tangente de uma movimentadíssima avenida estritamente industrial foi uma baita surpresa. Depois fiquei sabendo que o boeing foi trazido no início de 2014 para compor uma loja de um shopping que se erguerá no terreno e servirá como museu e playground para crianças. Mas como fazia muito tempo que não passava pela região, apenas hoje pude apreciá-lo.

- Charles Tôrres

terça-feira, 26 de maio de 2015

BELO HORIZONTE


Cidade cromo, furta cor, dos múltiplos horizontes, da heterogeneidade, da multiplicidade e da pluralidade. Cidade das tribos, cidade pujança, cidade alegria, metrópole das incontáveis paisagens. Maquinada e processada por seus cinco milhões e meio de indivíduos. Terceira maior, mais rica e mais populosa área urbana brasileira. Forte, aconchegante, próspera e robusta; BH é um misto de qualidades, emoções e sensações, que vão da diversidade de sabores ao puro ar das serras. Metrópole do mais belo céu e as mais distintas nuances. Emoção!

- Charles Tôrres

segunda-feira, 25 de maio de 2015

ESPERANÇA


As barreiras podem ser enormes, os viadutos gigantescos, as avenidas congestionadas... mas sempre haverá um belo pôr do sol lhe esperando para além dos obstáculos.

- Charles Tôrres

domingo, 24 de maio de 2015

IRREVERSÍVEL


Sinto saudades de um mundo menos artificial. Isso pode soar como papo de velho, mas não é. Somos escravos do mundo moderno, das fotos digitais, das músicas digitais, do transporte motorizado, das amizades cibernéticas, das comidas que vem empacotadas em vasilhas de plástico; fato que está nos tornando cada vez mais padronizados e homogeneizados. Nossa sociedade está cada vez mais higiênica, no mal sentido. Estamos nos esquecendo de sermos seres humanos. Queremos materializar tudo, sintetizar, ordenar. Abdicamos prazeres em prol do plasmado, limpo. Esses dias eu e Lígia fomos a um aniversário infantil e nos espantamos com o que vimos. Para começar, o bolo de aniversário era de papel. Sim, papel! Nada de vela de aniversário enfiada no bolo, nada de glacê, nada de granulado de chocolate, nada de convidado se lambuzando para comer a torta em guardanapos. O bolo era um enfeite apenas, de papel. E mal feito por sinal, já que o bolo era completamente quadrado e cheio de rebarbas. No lugar de fatias de bolo foram distribuídos cupcakes fechados em potes de plástico. Sem recheio, sem chantilly. Só um bolo sem graça. Brigadeiros, beijinhos, cajuzinhos? Há! Nada disso. Haviam latas de Coca-Cola em cima da mesa no lugar dos docinhos (!), detalhes de plástico imitando caixa de presente (!!) e balas fechadas em latinhas (!!!). Isso tudo para facilitar a limpeza depois da festa, só pode ser. É como querer beijar sua mulher mas ter nojo da saliva dela. É como ir pra praia e ter nojo da areia ou do mar. Isso sem falar nas inúmeras crianças vidradas nas telas de celular e iPads dos pais, em meio às centenas de brinquedos que haviam no lugar. Não sou velho a ponto de dizer que eu cresci num mundo diferente desse, pois só tenho 28 anos, mas em minha infância os aniversários eram mais verdadeiros. Eram feitos para crianças, e não para robôs. Nos lambuzávamos com bolos e docinhos maravilhosos. As brincadeiras eram físicas, e olha que fui garoto de apartamento. Já havia o videogame, mas ele era apenas mais um brinquedo dentre muitos outros. Corríamos, imitávamos personagens, éramos heróis, vilões, águias mágicas, dragões guerreiros, gárgulas de fogo. Salvávamos princesas em castelos abandonados. Transformávamos gravetos em espadas de luz. E, de vez em quando, recorríamos aos nossos games eletrônicos para brincar de Sonic ou Mario. Hoje não... hoje tudo é artificial. E para minha surpresa, até o bolo de aniversário é artificial (fazia tempos que não ia em uma festa infantil, não sei quando essa moda começou). Uma higienização social e psicológica. Dizem que joguinhos de celular estimulam a memória, e de fato, temos produzido cada vez mais crianças com facilidade de recordação, mas com péssima criatividade. E isso reflete diretamente em nossa cultura, que está morrendo a cada dia. Não é à toa que nos dias de hoje nossos jovens só querem saber de passar em concurso público, mas mal sabem o significado da palavra 'empreender'. Aliás, somos poucos os empreendedores atualmente. Empreender virou uma atividade taxada, um risco, um contrato com a desestabilidade. Ganhar 5 mil por mês num emprego público chato, maçante e rotineiro é mais bem visto que ganhar 30 mil numa empresa criada por você mesmo, com seu suor, fruto de seus sonhos e conquistas. Nos dias de hoje, até os empregos são artificiais. As pessoas se esquecem que fazem parte de um esquema orgânico, desenhado pelo acaso. Estamos sendo transformados em máquinas padronizadas. Uma tristeza. 

- Charles Tôrres

quinta-feira, 21 de maio de 2015

DEAD CAN DANCE


O ser humano não faz ideia de sua própria capacidade. Perdemos grandes artistas e pensadores para profissões e estilos de vida atadas em simplórias convenções sociais. Quando menos se espera já está sendo enterrado a sete palmos da superfície junto com seus sonhos e ideais.

- Charles Tôrres

quarta-feira, 20 de maio de 2015

BLUE SKY


E as manhãs seguem frias em BH, com temperaturas que variam entre 12º e 22º, tomando a atmosfera da cidade num tom de água de piscina pra lá de interessante. Um clima gostoso como esse só me faz acreditar no que sempre creio: boas sempre estão pra acontecer.

- Charles Tôrres

terça-feira, 19 de maio de 2015

MAMAR NO BAR


Farto da rotina diária, esgotado das regras e oposições do sistema, impugnado da voz do chefe, derreado dos mandamentos que sua filosofia doutrinática lhe impõe, o homem procura no etanol uma dispersão, uma forma de se liberar das exigências no instante em que o líquido o relaxa. Nós somos boêmios por natureza, gostamos de extravasar as ideias e ideais ao saborear o golo. E a medida que chapamos os melões, nos metamorfoseamos e criamos coragem para dizer e fazer, sem nos preocuparmos com a situação imposta naquele momento. Esse é o poder da loira gelada. Droga lícita, sinônimo do exagero, do sobejo, da vontade de exceder o obstáculo, fazer diferente. Bagulho refrescante!

- Charles Tôrres

segunda-feira, 18 de maio de 2015

A ORIGEM


Não é uma fotografia necessariamente de Belo Horizonte, mas de sua mãe e antecessora, Ouro Preto, que fora a capital de Minas Gerais em outrora. Fundada como "Vila Rica" em 1652, a cidade preservou até hoje seu centro histórico, o qual lembra os mais antigos lugarejos europeus, tamanho charme dos seus palácios e casarões coloniais. Aconchegante, Ouro Preto é uma caixinha de surpresas. Um simples passeio por entre algumas de suas grandes quadras é o suficiente para nos apaixonarmos pelos seus reveladores espaços. É uma cidade pequena com coração de metrópole, tamanho cosmopolitismo e movimentação turística. Apesar de atualmente a economia de Ouro Preto depender muito do turismo, há também importantes indústrias metalúrgicas e de mineração no município, tal como a Alcan, que é atualmente a maior e mais importante fábrica de alumínio do país. É em Ouro Preto que se encontra a única fonte de topázio imperial do mundo, o que torna a cidade ainda mais encantadora e exótica. A origem do seu nome é devido a uma característica do ouro encontrado na época da sua fundação: o mineral era escurecido por uma camada de paládio, dando-lhe tonalidade diferente da normal. Em 2005, foi alterado o lema inscrito na bandeira da cidade. Segundo os movimentos negros, o lema anterior, PROETIOSVM TAMEM NIGRVUM (traduzido do latim, Precioso, Ainda que Negro) tinha uma conotação racista. Dessa forma, o novo lema inscrito na bandeira da cidade passou a ser PROETIOSVM AVRVM NIGRVM (Precioso Ouro Negro). Com o desenvolvimento do estado, a cidade (que possui rígidas limitações geográficas) foi ficando pequena para o posto de capital, dando início ao movimento político que deu origem, em 1897, à atual terceira maior metrópole do país, Belo Horizonte.

- Charles Tôrres

domingo, 17 de maio de 2015

CARAÇA


Apensar de não fazer parte necessariamente da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a Serra do Caraça integra o Colar Metropolitano; e é um dos lugares mais visitados por belo-horizontinos em finais de semana e curtos feriados. Faz parte do complexo da Serra do Espinhaço (assim como a Serra do Curral), abrigando ao seu redor diversas localidades históricas, como igrejas centenárias e escolas, nas quais consideráveis personalidades brasileiras estudaram. Foi na principal paróquia da região que Milton Nascimento gravou  ao vivo seu disco "Missa dos Quilombos", em 1982. A serra é considerada uma das formações rochosas mais imponentes do Brasil, possuindo uma exuberante paisagem, seja vista do cume dos seus morros ou a partir de sua base.
 
- Charles Tôrres

sexta-feira, 15 de maio de 2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

STATUS


E o dia termina assim: um ônibus em chamas na Amazonas que travou o trânsito por dezenas de quilômetros no início da noite... mais um acidente no Anel Rodoviário, no mesmo bat-horário, no mesmo bat-canal, envolvendo carreta desgovernada, 20 veículos atingidos e um morto que ainda está preso entre as ferragens.

E meu povo só comemora.

- Charles Tôrres

segunda-feira, 11 de maio de 2015

DOWNTOWN HUNTER


Centro forte e rasgado, o metrô passa ao seu lado
Centro quadra e quadrado, sei de cor e salteado
Centro verticalizado, imponente e bagunçado
Centro grande e cobiçado, viaduto reforçado
Centro frio requentado, sujo e maltratado

Centro desmoralizado, rico e embaraçado
Centro lar enferrujado, torto e rabiscado
Centro multifacetado, bonito e arrojado
Centro proletariado, pobre recalcado

Centro hipérbole e humilde
Centro metrópole e luz

Centro paixão, cultura e arte
Centro por toda parte!

- Charles Tôrres

domingo, 10 de maio de 2015

INHOTIM


Um lugar que nos faz mudar completamente nossa forma de ver a arte. Um espaço que nos mostra obras que parecem ter saído quase que literalmente de dentro do artista, expondo suas entranhas e vísceras configuradas em grandes ideias. Um parque que promove uma reflexão sobre o fazer na arte e suas dissonâncias. Uma oxítona, à frente de julgamentos, além do seu tempo. O Instituto Inhotim é o maior museu de arte contemporânea do mundo e principal acervo brasileiro da categoria. Localizado na Grande BH, mais especificamente no município de Brumadinho, o espaço começou a ser idealizado em 1980, sendo inaugurado em 2006. O lugar é monumental! Enorme! Hoje fui com a Lígia pela segunda vez ao Inhotim (a primeira foi em 2010) e, mais uma vez, não conseguimos ver todas as obras. Acredito que seja necessário uma temporada de duas ou três semanas no local para digerir tudo o que Inhotim tem a oferecer. É um misto de arquitetura, obras de arte e belíssimos jardins. Cada galeria (são centenas delas) foi cuidadosamente projetada por grandes arquitetos, juntamente com o paisagismo, transformando Inhotim em uma referência na arquitetura nacional. São mais de 500 hectares, os quais acomodam obras de artistas brasileiros e estrangeiros, com destaque para trabalhos de Cildo Meireles, Tunga, Vik Muniz, Hélio Oiticica, Adriana Varejão, Ernesto Neto, Matthew Barney, dentre outros. Segundo os moradores de Brumadinho, o local foi uma fazenda pertencente a uma empresa mineradora que, no século XIX, atuava na região, cujo responsável era um inglês, de nome Timothy, apelidado primeiramente de "Sinhô Tim", que na linguagem local, acabou virando "Inhô Tim". A verdade é que Inhotim dá banho em qualquer bienal de arte no Brasil, pois vai muito além de uma grande galeria de exposições. É um encontro do indivíduo com suas agonias, ansiedades, seus questionamentos... e com toda a paz que só um parque urbano pode oferecer.

Esse é o Inhotim, que fica em Brumadim, pertim de Betim, longe de Baldim, que apesar de modernim, não perde seu charme mineirim.

- Charles Tôrres

quinta-feira, 7 de maio de 2015

FIREWORKS


Estamos todos a aproximadamente 1666 km/h, que é a velocidade de rotação da Terra, e eu ainda me pergunto como pode ter gente tão estagnada nesse mundo!

- Charles Tôrres

segunda-feira, 4 de maio de 2015

MANDALA


Mandala é uma representação geométrica da dinâmica da relação entre o homem e o cosmo, segundo a filosofia hinduísta. De fato, toda mandala é a exposição plástica e visual do retorno à unidade, compondo-se em círculos e quadrados concêntricos (ou seja, com um centro comum) que formam uma imagem simbólica do mundo, servindo de instrumento de meditação para os povos indianos e budistas. É um símbolo comum na liturgia hindu, cuja tradução do sânscrito significa "círculo". Porém, pode ser encontrada também em representações da arquitetura cristã em Minas Gerais, como na foto acima, que representa o teto da nave central de um famoso templo belo-horizontino.

- Charles Tôrres

sábado, 2 de maio de 2015

AMARGO MEL DE CADA DIA


Lá de cima os urubus sugam nosso pólen e, com o árduo auxílio das abelhas escravas, o transformam em mel falsificado para os animais beberem. As flores estão secando há tempos; o jardim, apesar de ainda belo, perdeu seu alvor.

Eles se mantêm imóveis no ar esperando produzirmos esterco para empilharmos seus muros de adobe. Aguardam ansiosamente por nossa carniça cansada.

Os urubus estão inacessíveis, cada vez mais. Não dá pra usar meu estilingue neles. Já tentei.

Jogam-nos pão para comermos assistindo o circo das pulgas, que não passa de um replay, como o dia da marmota. Hoje o pão já não é mais francês, mas o circo nem de longe é canadense.

Eu olho para cima em um dia ensolarado em busca de respostas. Em busca de esperanças. E o que eu vejo são nuvens cinzas dispersando os colibris.

Os urubus gritam em nossas cabeças o tempo todo, falam demais, mas não tem nada a dizer.

E o pior, mataram a mais bela siriema cantante da minha região, que proferia os mais lindos sons característicos do jardim que habitamos. Colocaram no lugar uma cigarra burra e repetitiva.

A siriema era vaidosa, seu canto externava nossas inquietações de forma poética e lúdica. As vezes ela voava para bem longe em busca de novas canções. Sempre voltava com grandes novidades.

Já a cigarra nos irrita como uma britadeira numa manhã de domingo. Ela tenta nos impor suas verdades morais, suas ideologias falsas e repletas de engano.

Não queremos verdades. Não queremos cigarras repetitivas. Queremos ver nosso jardim colorido, com espaço para todos os bichos, sem distinção de raça ou tamanho. Queremos ouvir a siriema! Ah, que saudade dela.

Os urubus gostam de nos prometer campos de lírios e tulipas, porém, não conseguem nem regar meu quase morto pau-brasil.

- Charles Tôrres

sexta-feira, 1 de maio de 2015

PAMPULHA NOSSA DE CADA DIA


Após o luto pela perda da grande Rádio Guarani FM, que hoje 00h02' suspendeu suas atividades, nada como ir visitar a Lagoa da Pampulha para relembrar como BH ainda é um bom lugar para se viver. Sim, estou desapontado. Ligar na frequência 96,5 e ouvir outra rádio ali é deprimente.

- Charles Tôrres

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