segunda-feira, 30 de novembro de 2015

CIDADE MÁQUINA


A metrópole, na calada da noite: um complexo labirinto organico-geométrico que esconde os mais intrínsecos pensamentos ideológicos sobre nossa existência. Trabalhamos em escritórios, em indústrias, em salas de aulas, nos guetos e apertos. Almoço, janta, televisão, sexo, filho, viagem, chefe, crise, congestionamento, promoção, arroz e feijão. Até que acordamos na madrugada com o "porquê" martelando a cuca. Eis que se manifesta a fadiga. E é graças à exaustão de uma vida automatizada que surge a autoconsciência. A partir de então, nossa vida se inicia de fato. Escutemos mais nossos anseios e sejamos mais nossas ambições.

- Charles Tôrres

sábado, 28 de novembro de 2015

ARBORIZADA


Com cerca de uma árvore por habitante, Belo Horizonte é a segunda cidade mais arborizada do Brasil, perdendo o primeiro lugar para Goiânia. É notória a frondosa flora urbana da metrópole mineira; e por isso, ela carrega desde sua concepção o título "Cidade Jardim". Além disso, a cidade possui 70 parques apenas no município e cerca de 150 em toda a região metropolitana. Graças à essa característica, em outrora a cidade foi polo de tratamento de tuberculose e outras doenças respiratórias, por conta do clima  puro e ameno que a intensa arborização proporcionava. Nos dias de hoje a numerosa formação arbórea da urbe não inibe mais a poluição do progresso, e BH está entre as cidades com o ar mais prejudicado do país. BH é a segunda mais arborizada, mas é também a terceira mais motorizada, com cerca de dois veículos para cada três habitantes. E o índice não para de aumentar, já que as ruas de BH recebem cerca de 600 novos automóveis todos os dias. Ao mesmo tempo que é uma cidade jardim, é uma cidade asfalto, cidade concreto. Ao mesmo tempo que morde, assopra.
- Charles Tôrres

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

EFEITO BORBOLETA


Ser humano: uma eterna e caótica caixinha de surpresas. Agradáveis e desagradáveis.

- Charles Tôrres

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

ESTÚDIO ABERTO


A cidade é meu ateliê
O céu é minha tela
A rua é meu godê
A chuva, minha cela

- Charles Tôrres

terça-feira, 24 de novembro de 2015

ÁPICE NO AGUACEIRO


Paz que me envolve na chuva que cai. A flor do frio toque da água sobre meus pulsos arrefece meu inquieto coração e põe-me a meditar sobre esse maravilhoso momento. A chuva é a recompensa da natureza pelos acalorados dias, pelos agitados períodos que vive nossa gente. Na rua, o piso molhado rebate as luzes da cidade, intensificando a luminosidade, tornando o objeto urbano mais vívido, mesmo sob o negrume noturno. Os cidadãos, acolhidos por suas umbelas molhadas, fecham-se em sua própria atmosfera e põem-se a  contemplar os próprios pensamentos. Flagrante oportuno para meu click!

- Charles Tôrres

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

PROCESSO & CRIAÇÃO


A arte e a chuva... muitas horas de concepção, poucos minutos de apreciação.

- Charles Tôrres

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

RED GATE


O Baixo Centro de Belo Horizonte e suas entranhas escarlates, cavernas urbanas em tons aguçados no mais belo neon cintilante. O vermelho pincela a rua e os reflexos da chuva, transformando o panorama citadino em um take cinematográfico in real time. Jazz em forma de fotografia.

- Charles Tôrres

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

METRÓPOLES NOTURNAS


Um rolé pela colmeia com mais de um milhão de esquinas. Ousadia na chuva que cai no Baixo Centro underground da urbe pujante. Vejo rostos marcados, bueiros quebrados, odores azedos. Vejo gente real, desembrulhada, sem disfarce. O enquadramento estruturado faz do clique uma grande aventura. Composição que dialoga no íntimo do fotógrafo. Cenas as quais nos fazem mergulhar no instante e quase nos esquecermos da câmera fotográfica. Temos que tomar cuidado, pois abre-se o sinal e lá se vai o frame. Passeio fotográfico vivo, interessante e instigante. Uma hora depois, convicto, volto ao meu escritório com um certeiro pensamento: A cidade é uma fonte inesgotável de expressão humana.

- Charles Tôrres

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

ECOS METROPOLITANOS


E a vida segue surpreendendo, positivamente e negativamente; porém, fazendo do amanhã a nossa maior expectativa.

- Charles Tôrres

terça-feira, 17 de novembro de 2015

ABASTADO POVOADO


Continuando na mesma linhagem da foto de ontem, eis um take chuvoso da charmosa Ouro Preto, vizinha/mãe de Belo Horizonte.

- Charles Tôrres

domingo, 15 de novembro de 2015

CIDADE OURO


E, mais uma vez, Ouro Preta desponta aqui no BH - Uma Foto por Dia em caráter extraordinário, mesmo não fazendo parte da Região Metropolitana de BH. Minha justificativa é sempre a mesma: são cidades que se relacionam intimamente. Primeiro porque Ouro Preto foi capital de Minas antes de BH. E depois pelas estreitas relações comerciais / econômicas / turísticas / culturais entre as urbes. Isso sem falar na proximidade: são apenas 100km que separam essas duas jóias de MG. Ouro Preto sempre me impressiona. Venho à cidade (estou em Ouro Preto nesse exato momento) praticamente todo mês e, ainda assim, saio sempre satisfeito com o que vivencio por aqui. É uma cidade completa, com ares de metrópole cosmopolita, mesmo possuindo parcos 75 mil habitantes. A intensidade e a densidade cultural de seu belíssimo centro histórico põe no chinelo (sim, no chinelo!) qualquer metrópole de caráter nacional, seja Belo Horizonte, seja São Paulo, seja Curitiba ou Salvador. Em meros 100 metros de uma única rua pude escutar 4 restaurantes tocando música ao vivo. Música das boas! Sem desmerecer outros estilos, mas por aqui só se ouve jazz, mpb e rock dos bons. Em menos de 24h pude presenciar, num raio de 500 metros da praça principal, apresentações musicais, pintores, escultores, danças de rua, teatro. Isso sem falar na culinária... um espetáculo! Amigos, por favor, não confundam quantidade com densidade. É óbvio que BH ou RJ, por exemplo, possuem maior oferta cultural que Ouro Preto. O que estou colocando em questão é a densidade, ou seja, manifestação cultural por metro quadrado. Não precisa andar muito (aliás, quase nada) para se comer bem e apreciar cultura de verdade. Bom, Ouro Preto é, sem dúvidas, um dos mais instigantes destinos turísticos do país. Não vou estender por aqui, mas em breve publicarei uma matéria completa sobre a cidade no blog da Metrópole Escola de Fotografia: www.olhardefotografo.com. Fiquem ligados!

- Charles Tôrres

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

THE MAN MACHINE


A rotina, que faz com que nos conformemos com o mesmo, abdicando nossos desígnios, freando o ímpeto mais profundo que move nossa vontade de mudar. Máquinas somos nós,  operantes de um sistema que nem sabemos onde vai chegar, declinando nossos caprichos em prol do medo de fazer diferente. Maquinas operando máquinas. Nos habituamos com o que é nos imposto, a fim de não desapontarmos as origens, o leito inicial, nossas tradições arcaicas.

- Charles Tôrres

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

RECHEIO


Belo Horizonte, uma cidade acolhida por um imenso vale formado por serras mineiras, é o exemplo de que uma grande cidade não é apenas uma urbe tomada por enormes edifícios, largas avenidas e densa população. Uma grande cidade, para ser considerada como tal, precisa de cultura. Uma cidade sem cultura é a mesma coisa que um rochedo no meio da selva. Sem conteúdo a cidade deixa de ser orgânica, se torna fria e artificial.

- Charles Tôrres

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

CONSCIÊNCIA


As boas fotografias são como os mais profundos sentimentos: elas sempre vão significar muito mais do que conseguimos expressar.

- Charles Tôrres

domingo, 8 de novembro de 2015

TÓRRIDA URBE


As vezes, quando saio do escritório, do carro, de uma agência bancária ou de qualquer lugar com ar-condicionado, tenho a certeza de que tal aparelho foi uma das mais geniais invenções do homem.

- Charles Tôrres

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

ATÉ QUANDO?


E nosso querido astro rei segue castigando impiedosamente nossas cabeças. A secura é insuportável, o calor bate recordes atrás de recordes. Apenas de vez em quando a chuva das as caras por aqui, e mesmo assim, em níveis insignificantes. A pergunta que não quer calar é: até quando?

- Charles Tôrres

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

ESPLENDOR


E o grande astro solar adormece em mais uma agitada quarta-feira na poderosa metrópole do mais cativante panorama. Belo Horizonte possui um nome privilegiado, pois explica nele próprio a sua origem. Não temos o nome de um santo conhecido; nem de um político famoso; de um rio; e muito menos de origem indígena, como outras cidades. Temos um nome sugestivo, que de cara explicita o perfil de uma urbe que soma quase 6 milhões de habitantes em toda a mancha urbana. Viva a capital de Minas Gerais e seus infinitos horizontes.

- Charles Tôrres

terça-feira, 3 de novembro de 2015

FOTÓGRAFO VERDE E AMARELO


Explorações urbanas são a minha sina. Em minhas veias rasgam avenidas e linhas de metrô. Meus olhos são clarabóias de grande diametragem e intensa absorção, capazes de deixar até o mais delgado fio de luz acessar o interior. Meus nervos são fibras-óticas vigorosas como uma internet oriental. Os ouvidos sensíveis caçam até o som do unieverso em expansão no momento em que a luz do sol toca a superfície da Terra. E em meus pulmões assopram os castos ares dos parques e das colinas mineiras. Sou fotógrafo, cidadão do mundo, brasileiro com orgulho, habitante da maior metrópole do pão de queijo que existe no planeta.

- Charles Tôrres

domingo, 1 de novembro de 2015

CUBISMO SOLITÁRIO


E as memórias da cidade vão sendo apagadas para dar lugar aos blocos soviéticos do desenvolvimento individualista.

- Charles Tôrres

Arquivo do blog