segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Atenção pessoal,

Entre os dias 24 e 31 de dezembro, não teremos foto do dia por conta das festividades de ano novo. Estou em tempo integral por conta de família, que veio de fora de BH, além da ceia de natal que será em minha casa, preparativos e outras causas natalinas. A partir do dia 01 de janeiro o blog voltará ao seu ritmo normal.

Um grande abraço pra vocês, tenham um ótimo natal e um excelente ano novo!

domingo, 23 de dezembro de 2012

PÓLO DE MODA II


O Barro Preto é um dos principais bairros da Zona Central de Belo Horizonte. Ele pode ser considerado como uma extensão do próprio Centro, acomodando alguns edifícios empresariais, comerciais e residenciais, além de milhares de lojas especializadas em moda. Estrategicamente ele é vizinho do bairro Prado, um dos bairros com maior concentração de confecções e escritórios de estilistas do Brasil. O Barro Preto foi colonizado por imigrantes italianos - e talvez por conta disso acomoda a sede do Cruzeiro Esporte Clube, time de origem italiana cujo primeiro nome foi Palestra Itália. Apesar da tradição futebolística, o que se destaca mesmo no bairro é o pólo de moda que abriga, o que faz dele a região predileta das mulheres belo-horizontinas.

Boa noite pra vocês e até amanhã!

sábado, 22 de dezembro de 2012

O TOPO


O MUNDO NÃO ACABOU.
E AGORA?

Você pensou no que faria se os maias estivessem certos? Passaria as últimas horas junto da família? Dos amigos? Chutaria o balde e xingaria o chefe? Sairia sem roupa na rua? Ficaria as últimas 24 horas ao lado do amor da sua vida?

Bem, o mundo está aí. Nem tão firme, nem tão forte, mas vai levando. Começou um novo dia. Mais que isso, uma nova vida. Porque se você pensar bem, a cada novo dia, um mundo acaba: o mundo do dia anterior. Sem bolas de fogo no céu, sem terremotos, sem o Will Smith salvando todos no final. Os ponteiros do relógio continuam girando. E voce acorda no dia seguinte sem se dar conta de que nasceu de novo.

Mas agora que o céu não caiu sobre nossas cabeças, o que você vai fazer?

Que novos projetos vai começar? Que livros vai ler, que filmes vai ver, que viagens vai fazer? Que notícias vai levar em conta?

E, principalmente, que atitudes vai tomar para tentar melhorar sua cidade, seu país, seu planetinha azul para que ele não acabe de verdade?

Hoje é 22 de dezembro de 2012. Você ganhou mais uma chance. Faça valer a pena. 

--

Texto retirado do Jornal Estado de Minas.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

CIDADE JARDIM


Com cerca de uma árvore de rua para cada quatro habitantes (e uma árvore por habitante, se considerarmos os parques e reservas), Belo Horizonte é a segunda cidade mais arborizada do Brasil, perdendo o primeiro lugar para Goiânia. É notória a frondosa flora urbana da metrópole mineira; e por isso, ela carrega desde sua concepção o título "Cidade Jardim". Além disso, a cidade possui 69 parques apenas no município e cerca de 150 em toda a região metropolitana. Graças à essa característica, em outrora a cidade foi polo de tratamento de tuberculose e outras doenças respiratórias, por conta do clima  puro e ameno que a intensa arborização proporcionava. Nos dias de hoje a numerosa formação arbórea da urbe não inibe mais a poluição do progresso, e BH está entre as cidades com o ar mais prejudicados do país. BH é a segunda mais arborizada, mas é também a terceira mais motorizada, com cerca de dois veículos para cada três habitantes. E o índice não para de aumentar, já que as ruas de BH recebem cerca de 600 novos automóveis todos os dias. Ao mesmo tempo que é uma cidade jardim, é uma cidade asfalto, cidade concreto. É o famoso "morde e assopra".

Tenham um ótimo fim de semana!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012


MUNDO VELOZ


Éramos célebres líricos
Éramos sãos
Lúcidos céticos
Cínicos não
Músicos práticos
Só de canção
Nada didáticos
Nem na intenção
Tímidos típicos
Sem solução
Davam-nos rótulos
Todos em vão
Éramos únicos
Na geração
Éramos nós dessa vez

Tínhamos dúvidas clássicas
Muita aflição
Críticas lógicas
Ácidas não
Pérolas ótimas
Cartas na mão
Eram recados
Pra toda a nação
Éramos súditos
Da rebelião
Símbolos plácidos
Cândidos não
Ídolos mínimos
Múltipla ação

Sempre tem gente pra chamar de nós
Sejam milhares, centenas ou dois
Ficam no tempo os torneios da voz
Não foi só ontem, é hoje e depois
São momentos lá dentro de nós
São outros ventos que vêm do pulmão
E ganham cores na altura da voz
E os que viverem verão

Fomos serenos num mundo veloz
Nunca entendemos então por que nós
Só mais ou menos

--

música de Marcelo Jeneci


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

SÃO JOSÉ II


Boa noite, pessoal! A foto de hoje foi tirada ontem a noite - e é praticamente o mesmo ângulo da foto da última sexta-feira. Apesar do panorama parecido, fiz questão de postar esta fotografia, pois achei o resultado desta perspectiva noturna bastante interessante.

Tenham uma ótima noite!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

CÉU DO OESTE


Hoje o céu se exibia esplendidamente sob a zona oeste de BH. Apesar do calor infernal, que bateu os trinta e dois graus centígrados, as nuvens estavam densas e espaçadas, deixando na atmosfera uma iluminação bem interessante, com luzes que penetravam a cidade por entre os flocos de núbilos. As chuvas deram as caras em breves ocasiões, umidificando o ar e nossos pulmões, ressecados pela seca constante em épocas de baixa pluvial. Esse período do ciclo climático garante belos e diversificados panoramas, especialmente em uma cidade como Belo Horizonte, dotada de altos edifícios, relevo acidentado e grande variação da altura por entre as regiões da metrópole.

Tenham uma ótima noite!

domingo, 16 de dezembro de 2012

ÁPICES DA INCONVENIÊNCIA URBANA


Um catador solitário, predestinado à pretender e tratar entulhos citadinos, suprindo a incumbência de manter o esmero das ruas da cidade. Em plena Afonso Pena, a peleja ao transpor a grande via remete sua fadiga. O olhar um tanto perdido confere seu desapego  por civilidades costumeiras. Mas, poderia ser diferente? Dando-lhe oportunidades até então desconhecidas possibilitaria à ele transformar-se em um músico de grande prestígio? Um cientista de renome? Um artista com dotes inexpugnáveis? Um cidadão comum, qualificado por títulos supérfluos? Ou seria ele mais um malandro corruptível da Câmara dos Deputados? Já vi muitos Mozart saírem da lata de lixo... e incontáveis Macedos e Calheiros brotarem dos mais temidos guetos. Quantos mestres o Brasil já perdeu para as ruas? Infelizmente, a massa de mariolas é maior que nossa capacidade de enfrentá-los. Para dar um tiro ou queimar inquilinos de logradouros, o malandro brasileiro não mede esforços. Enquanto isso, para ganhar uns trocados, o sujeito acima está meramente tentando atravessar uma avenida.

Tenham uma ótima semana!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

SÃO JOSÉ


A Igreja São José é um dos destaques da arquitetura manuelina em Belo Horizonte. Localizada na confluência entre ruas Espirito Santo e Tamóios, no hipercentro, o templo foi inaugurado em 1910 e era o edifício mais alto da cidade, época em que ainda distinguia-se ares interioranos na capital mineira, com seus parcos 30 mil habitantes. Hoje a paróquia se destaca por entre edifícios modernos que formam uma espécie de cânion, no coração financeiro da metrópole. 

Tenham um ótimo fim de semana!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

UBÁ


Uma das coisas que mais me encanta em Belo Horizonte é sua miscigenação arquitetônica.  Já comentei sobre isso no blog inúmeras vezes. Não precisamos andar muito para encontrarmos diversidade. Essa rua, Ubá, localizada no Bairro Colégio Batista, fica a parcos 2 quilômetros do Centro de BH. Praticamente ao lado do coração financeiro da cidade, uma rua pacata, de atmosfera bucólica, com calçamento em paralelepípedos e construções art déco. Achei o lugar interessantíssimo! E ainda por cima, no final da rua (que é sem saída) há um mirante de onde podemos ver a zona central da metrópole em um panorama espetacular.

Tenham uma ótima noite!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

115


Hoje a grande metrópole mineira faz 115 anos. Esbelta no corpo e madura na concepção, a cidade é um pólo econômico que move mais de 7 milhões de pessoas em sua região integrada de desenvolvimento econômico, reunidas em seu colar metropolitano, além de reger com maestria um sistema que envolve cerca de 21 milhões de pessoas, habitadas no segundo estado mais populoso do país. Concebida sob o movimento progressista do final do século IXX, a cidade nasceu para ser uma capital administrativa, com foco na política e na gestão do Estado de Minas Gerais. Mas BH extrapolou e se transformou em um dinâmico pólo financeiro, industrial e comercial, se integrando entre as três maiores e mais importantes metrópoles do Brasil, além de possuir um dos melhores índices de qualidade de vida da América Latina. Conservadora, moderna, dinâmica, rica, gigante, colorida, sóbria, empreendedora, forte, enérgica, elegante, sublime... faltam palavras pra descrever essa cidade acolhedora e cosmopolita. Que venham mais 115 anos de ação e desenvolvimento! Parabéns à todos os mineiros que souberam fazer uma grande urbe! Feliz aniversário, Belo Horizonte!

Tenham uma ótima noite.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

CAPELA DA CRUZ


Em minhas jornadas urbanas por Belo Horizonte e sua vasta região metropolitana, me deparei com essa simpática capela, localizada em um dos pontos mais altos de Sabará, próximo ao seu centro histórico. A vista a partir de lá é extraordinária, com um largo panorama aos vales do Rio Sabará e do Rio das Velhas. O clima frio, a atmosfera erma e despida de modernidades nos remetem aos idos tempos coloniais e suas esfinges religiosas. Sendo um templo construído na metade do século IXX, fiquei questionando o que faria ali aquela igreja, isolada a pelo menos quatro quilômetros (naquela época) do resquício de urbe mais próximo. Seria um ádito de contemplação às mitologias humanas que usa dos recursos topográficos para manter o beato em estado de êxtase? Ou o simples capricho dos cardeais de se alegarem próximos ao céu? Questões dogmáticas a parte, o lugar é magnifico... valeu a visita!

Tenham uma ótima noite.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

PONTO DE FUGA


Trem suburbano expresso comboio cidade industrial eldorado superfície rápido trilho eficaz ineficiente velho estação central moderno retrô sucateado pantógrafo reformado falido planejado vintage elétrico locomotiva operante bitola contagem automático linha metrominas controle gameleira terminal vila oeste bilhete licitação vilarinho sindimetro maria fumaça túnel music station cbtu roda são gabriel usuário embarque estrutura concreto ramal águas claras integração vagão dilma propõe plataforma nada acontece depois da faixa amarela... metrô!

Até amanhã.

domingo, 9 de dezembro de 2012

VIVA


Belo Horizonte está mais vigorosa que nunca. Com tantos acontecimentos fervilhando a capital mineira, a cidade está se transformando e se multiplicando numa velocidade jamais vista. Desde 2002, é a metrópole que mais cresce no Brasil; e este ano ela figurou entre as trinta cidades que mais cresceram no mundo. E não estamos falando apenas de crescimento populacional. Além de ser a terceira maior região metropolitana do país, a Grande BH possui o segundo menor nível de desemprego da nação, além de estar entre as cidades de melhor qualidade de vida da America Latina. Tantas potencialidades refletem também na economia da urbe, que hoje está entre os três maiores polos financeiros do Brasil. É nossa Belo Horizonte se preparando para um futuro próspero e abundante.

Tenham uma ótima noite!

sábado, 8 de dezembro de 2012

KINGS OF NYC


Grandes são os homens que gostam de desafio. Que desafiam e não se intimidam com torpes adversários.

Grandes são os homens que acreditam. Que possuem fé na tábua que lhe servirá de base à travessia perigosa.

Grandes são os homens amigos. Os homens benevolentes, que enaltecem a fraternidade e valorizam suas alianças.

Grande são os homens que sonham grande. Que debulham suas veredas com a convicção de um felino à caça de sua presa.

Grandes são os homens que sabem lidar com si próprios. Que ousam, desmembrando-se de seus limites, de seus cárceres internos.

Grandes são os homens que personificam o amor. Que se tornam ainda mais grandes na companhia de quem lhes concedeu seus sentimentos.

Grandes homens... produzidos através dos mais simples ingredientes.

--

Charles Tôrres

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

LABUTA


Indo em direção ao Centro da metrópole, me deparo com essa interessante perspectiva que mostra um operário no canteiro de uma das mais movimentadas avenidas que rasgam a Zona Norte de BH. Em meio à carros, poluição, barulho e um calor cuiabano que assola Belo Horizonte há duas semanas, lá estava o trabalhador, quieto, operando seu estrépito aparelho de fazer não-sei-o-quê, numa calmaria instigante como se estivesse sentado numa rede observando verdes campos catrumanos. Sua resignação ao tumulto marginal incomodava e encantava: uma máquina operando outra. Situação impressionante! Nem em meu silente escritório consigo promover tal sossego de espírito. Vejo nisso a rotina, que faz com que nos conformemos com o mesmo, abdicando nossos desígnios, freando o ímpeto mais profundo que move nossa vontade de mudar. Viramos máquinas operantes de um sistema que nem sabemos onde vai chegar, declinando nossos caprichos em prol do medo de fazer diferente. Nos acostumamos com o que é nos imposto, a fim de não desapontarmos nosso berço, nossas tradições retrógradas. Interessante é que podemos contemplar tal coisa em qualquer categoria... seja no dia a dia de uma doméstica, na rotina de um advogado, num ambiente corporativo ou num escritório de algum órgão público (nesse último é onde encontramos a raça mais frustrada). Isso galgou pelos meus diálogos internos enquanto o sinal não abria. Depois que abriu, liguei o rádio na CBN para saber quais eram as notícias do dia.

Tenham uma ótima noite!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

BLUE


Quem acompanha o blog sabe a admiração que eu tenho pelo céu. Não há expressão abstrata mais suntuosa e coerente que nossa imensa abóbada celeste - e com a vantagem de viver se metamorfoseando. Portanto, deixo aqui mais um registro desse espetáculo gratuito que nos é fornecido vitaliciamente. 

Tenham uma excelente noite!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

METROPOLITANO


Segunda-feira, 3h da tarde... dia corriqueiro num comboio do metrô da cidade - nem abarrotado, nem despovoado. No rumo ao downtown belo-horizontino, os diálogos dos usuários paralelizam o som ambiente e infiltram-se por entre meus ouvidos conforme o diálogo encefálico de cala. Dentro de um trem metropolitano, ficamos mais dispostos à meditação do ser humano, devido à calmaria do trajeto e ausência de paisagens contempláveis. A solitude apresentada nos preserva a capacidade de questionamento interno, conforme a lucidez litigiosa do cidadão. Em tempos de ausência criativa, sacamos um bom livro para lermos, ou nos contentamos com a companhia musical de nossos players, o que não exclui o debate interior. Todos sentimos remorso e razão. Todos sentimos afeto e aversão. Todos culpamos e pecamos, independente de ideologias, predicados. Esse é o homem e a mulher demasiadamente humanos, criadores de religiões e paganismos. Inventores do dinheiro e da miséria. Produtores de armas e cenouras. Cultivadores de famílias, paridores de órfãos. Esses somos nós, irreverentemente adoradores pelo próprio umbigo. Filósofos de metrôs e filas de banco... até instalarmos o Angry Birds.

Tenham uma ótima noite!

domingo, 2 de dezembro de 2012

DOMINGO


Lá se vai mais um típico dia de fim de semana. Teve clássico no Independência: 3x2, triunfo alvinegro. Naturalmente, a metrópole entra em conflito interno, com direito à confusão envolvendo mais de cem torcedores em uma estação de metrô de Contagem, a 18 quilômetros do estádio. No vôlei masculino, vitória do Minas sobre o Canôas. Termina o Planeta Brasil, grande festival musical realizado na Pampulha, começa o FIC - Festival Internacional de Corais, com apresentações em diversos centros culturais da Praça da Liberdade, além de igrejas, parques, hospitais, rodoviárias e estações de metrô. Entre mortos, feridos, uma Kombi que pegou fogo em plena Avenida Antônio Carlos, uma casa na Pampulha com 1 milhão em jóias roubadas e um calor infernal que esbarrou nos 32º, foi montado, no Palácio das Artes, um dos acervos mais completos sobre a carreira da cantora Elis Regina.

E nas palavras da formosa artista: é um belo horizonte, é uma febre terçã...

Tenham uma excelente semana.

sábado, 1 de dezembro de 2012

JUNGLE


A Zona Central de Belo Horizonte é, de longe, o lugar que mais gosto na cidade. Conversando com Rafael Magalhães, meu "cumpadi" virtual (o qual escreveu o texto que contextua a foto do dia 5 de novembro), fiquei inspirado em postar essa fotografia, tirada  com uma lente 300mm num belo dia de sol sob espessas e bailadas nuvens.

Deleitem-se com a mais bela e pujante metrópole de nossa nação!

Grande abraço e tenham um ótimo domingo.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

ATRIUM


A Praça Sete de Setembro é o coração consagrado da grande metrópole mineira, situada na Zona Central da cidade. É onde é bombeada a energia que pulsa no cotidiano de mais de sete milhões de habitantes, considerando-se o subalterno colar metropolitano. Fincada no cruzamento de duas grandes avenidas, Afonso Pena e Amazonas, a praça não é necessariamente uma praça, apesar de haver diversas áreas de convivência ao seu redor. Ela é elevada ao patamar de 'praça' por conta de uma antiga tradição belo-horizontina, a qual costuma nomear cruzamentos de grandes avenidas centrais como se fossem praças. Principal ponto de referência de Belo Horizonte, o lugar é um dos corredores mais cosmopolitas do Brasil, recebendo um fluxo de cerca de dois milhões de cidadãos e turistas diariamente, segundo estimativas recentes. Vale a pena parar para tomar um cafezinho no tradicional Café Nice e observar a intensa movimentação desse interessante núcleo urbano.  

Abraços à todos e até amanhã!
Pessoal,

Após várias tentativas, resolvi não dar continuidade ao novo layout do blog. Apesar da visualização facilitada e mais dinâmica que ele revelava, não consegui gostar do novo estilo que o projeto estava adotando. Acredito que não era por falta de um bom planejamento estético e sim pela acertada feição que o site já possuía. É como dizem, não se mexe em time que está ganhando.

Espero que compreendam...

A partir de hoje, volto com a postagem normal de uma foto por dia de nossa grande metrópole. Desculpem-me pelo intervalo de quase duas semanas sem postagem.

Abraços à todos,

Charles Tôrres

segunda-feira, 19 de novembro de 2012


Atenção pessoal,

Nos próximos dias, o "BH - Uma foto por dia!" estará passando por uma mudança radical em seu visual e em sua estrutura. O blog passará a ser um site de interface mais simples e dinâmica - e a forma de visualização das fotos mudará completamente. Por conta disso, o blog ficará inativo por mais ou menos dez dias.

Espero que compreendam! Voltem em breve para verem o resultado.

Abraços à todos,

Charles Tôrres

sexta-feira, 16 de novembro de 2012


Atenção pessoal,

Estive, nos últimos oito dias, em função de uma viagem. Por conta disso não postei fotos da série "Personagem da Semana" nas duas semanas que passaram. Já estou de volta à BH e a partir da semana que vem eu retomo a série.

Abraços à todos,

Charles Tôrres

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

BELÔ



Belo Horizonte acomoda o terceiro maior centro financeiro e comercial do Brasil. Com oito empresas figurando entre as cem maiores do país, é a terceira no ranking nacional desta classificação. Pujante, o centro de BH (também chamado de Hipercentro) é um formigueiro. Das 6h às 22h a região se entope de carros, ônibus, motos e as mais diversas representações humanas. Lá você encontra o engravatado executivo indo trabalhar numa grande empresa; o esporte-fino indo ocupar seu posto num banco; o comerciante simples dono de um café; a perua falsa-loura dona de um cabeleireiro; o designer, o fotógrafo, o jornalista, o pedreiro, o marceneiro, o ladrão, o punk, o rapper, o hipster, o clubber, o hippie... inclusive já fui atacado por um exemplar desse último em plena Rua Rio de Janeiro! Mas isso é assunto pra outro post...

Abraços a todos!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

LINHA VERDE


A Linha Verde é um sistema viário que conta com aproximadamente 40km de extensão e liga a região central da metrópole ao seu aeroporto internacional. Corta diversas zonas da cidade (dentre regionais e municípios); e possui uma estrutura urbanística complexa, com túneis, viadutos, elevados, metrô (por entre mãos), busway e o futuro BRT.

Tenham um ótimo dia!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

FRENESI URBANO



Ainda que muitos não percebam, há algo demasiadamente excitante em viver em uma grande metrópole. A liberdade de expressão, a criatividade, a galhardia e as possibilidades se potencializam conforme o tamanho da urbe. São locais que nos proporcionam a deliberação de opiniões sem julgamentos. Nas mega-cidades somamos maiores quilometragens no ir e vir sem que isso se torne tedioso, conforme curioso for o cidadão. São tantos eventos e acasos acontecendo simultaneamente que temos uma certa dificuldade de abstrair tudo; e quando não conseguimos ingerir todas as perspectivas com as quais topamos durante o dia, chegamos em casa exaustos. Para entender o que estou querendo dizer, basta passear uma manhã no Centro de Belo Horizonte. Costumo dizer que há mais coisa entre Venda Nova e o Barreiro; e entre Sabará e Betim; que julga nossa vã filosofia. De qualquer modo, as metrópoles para mim são sinônimos de emancipação. Nelas, temos autonomia para fazer, refazer, mudar, voltar, criar, tentar novamente. Ousamos, persuadimos, somos persuadidos, nos inspiramos. Corremos contra o tempo e à favor dele. Lugar de se misturar invisivelmente na multidão. As possibilidades beiram o infinito de modo desconhecermos cada vez mais o mais explorados espaços. Quando contraímos o espírito metropolitano, destememos e quebramos quaisquer que sejam os padrões, a fim de conviver com o novo. Vivam os milhões de habitantes e suas opiniões. Viva o pão de queijo que ainda me surpreende, mesmo sendo meu velho conhecido.

Um grande abraço pra vocês e tenham uma ótima noite!

domingo, 11 de novembro de 2012

BELVEDERE


O Belvedere é um dos mais valorizados bairros de Belo Horizonte e figura entre os mais caros do Brasil. O bairro cresceu ao redor do primeiro shopping da cidade, o BH Shopping, o qual foi inaugurado em 1979. Sinônimo de luxo e magnificência, a região conta com apartamentos que podem ultrapassar os 20 mil reais o metro quadrado, além de comércio forte e diversificado, com restaurantes, bares, shoppings, edifícios empresariais e centenas de lojas de rua. Fica a aproximadamente dez quilômetros do Centro e é uma das zonas mais altas da metrópole, acomodando-se em uma altitude de aproximadamente 1.200 metros acima do nível mar. A partir do bairro tem-se uma vista espetacular da cidade.

Tenham uma ótima noite!

sábado, 10 de novembro de 2012

MIGUELANGELO



A estética e a beleza foram objetos de estudo em toda a história da arte e da filosofia. No meio popular, a estética faz referência à beleza e suas proporções. A feiura sempre foi evitada por demonstrar sinais de imperfeição. Já no conceito filosófico, o feio pode vir a se tornar o belo, dependendo da forma como é tratado o objeto exposto. Ao nos expressarmos artisticamente, não estamos preocupados em atingir objetivos que agradem padrões de beleza preestabelecidos pela sociedade. Queremos mostrar algo novo, mesmo que seja a partir de algo velho. Usamos o conjunto da obra e seu contexto social para criar uma peça a ser exibida e apreciada. Isso estimula - tanto no criador quanto no espectador - o interesse em avançar sobre as semióticas predispostas; enxergar além do alcance, sintetizar os pequenos detalhes em grandes perspectivas. Evoluímos nossa capacidade de abstração de conceitos determinados pela massa e conseguimos desfrutar mais de situação posta em nosso cotidiano. Saber apreciar o belo vai muito além do alarido filosófico. Quando estimulamos isso, estamos nos permitindo seguir o fluxo de modo não encontrar barreiras na vicissitude da vida. Essencial para pessoas que buscam algo além do convencional...

Tenham um ótimo dia!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

FREK



“O verdadeiro ato de descoberta não consiste na busca de novas terras, mas em vê-las com novos olhos”.

O francês Marcel Proust não poderia estar mais lúcido ao conceber essa frase. Somos frutos da imposição de um sistema regido pela rotina e pela sequência de fatos diários, que nos colocam numa cadeia de acontecimentos, ora distintos, ora semelhantes... os quais, mesmo que interpostos, fazem do conjunto uma massa de única e inalterável. Somos programados a estudar pra entrar na faculdade, formar pra conseguir um bom emprego, trabalhar pra conseguir uma promoção, nos exercitar pra ter saúde, ver notícias pra ter o que comentar, se impor para não se abalar, acreditar em um deus pra não ter medo do dia seguinte. Nos vangloriamos por ter opinião formada, mas poucos se tocam que essa opinião não passa de uma reestruturação do conceito de outro indivíduo. Por mais que tentamos olhar pra frete ou para o alto, nossa visão periférica sempre vai enxergar o próprio nariz. Na teia em que vivemos raramente olhamos para os lados. Mas quando olhamos, descobrimos um mundo novo. Um mundo de possibilidades. Um mundo onde podemos construir outros mundos, mesmo que dentro do próprio quarto. Quando aprendermos a enxergar as coisas além do mostrado, estamos nos instruindo a dar valor às pequenas coisas, dar mais doçura ao nosso dia-a-dia e descobrindo novas possibilidades. Essa é minha filosofia. Aqui no meu blog eu quero mostrar pra vocês uma visão diferenciada da nossa belíssima cidade e aprendendo, junto com vocês, a olhar além do alcance, em busca de novos horizontes dentro da nossa Belo Horizonte!

Uma boa noite pra vocês e até amanhã!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

PADRE EUSTÁQUIO



A estética e a beleza foram objetos de estudo em toda a história da arte e da filosofia. No meio popular, a estética faz referência à beleza e suas proporções. A feiura sempre foi evitada por demonstrar sinais de imperfeição. Já no conceito filosófico, o feio pode vir a se tornar o belo, dependendo da forma como é tratado o objeto exposto. Ao nos expressarmos artisticamente, não estamos preocupados em atingir objetivos que agradem padrões de beleza preestabelecidos pela sociedade. Queremos mostrar algo novo, mesmo que seja a partir de algo velho. Usamos o conjunto da obra e seu contexto social para criar uma peça a ser exibida e apreciada. Isso estimula - tanto no criador quanto no espectador - o interesse em avançar sobre as semióticas predispostas; enxergar além do alcance, sintetizar os pequenos detalhes em grandes perspectivas. Evoluímos nossa capacidade de abstração de conceitos determinados pela massa e conseguimos desfrutar mais de situação posta em nosso cotidiano. Saber apreciar o belo vai muito além do alarido filosófico. Quando estimulamos isso, estamos nos permitindo seguir o fluxo de modo não encontrar barreiras na vicissitude da vida. Essencial para pessoas que buscam algo além do convencional.

Tenham uma ótima noite!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

BROTHERS IN ARMS


A Avenida José Cândido da Silveira é a via que liga a Avenida Cristiano Machado à Rodovia MG-005 e divide as regionais leste e nordeste da capital mineira. Com aproximadamente 4 quilômetros de extensão, o logradouro seria apenas mais um dentre os milhares existentes na metrópole, se não fosse pelo seu maior diferencial: o parque linear. O conceito é novo (e está cada vez sendo mais difundido entre as grandes cidades do planeta) e consiste na implementação de um parque nas margens ou no centro de grandes avenidas. É uma derivação de boulevard, mas este último tem um perfil mais paisagístico, enquanto o parque linear tem um caráter mais ecológico. Com cerca de 52 mil metros quadrados, a grande alameda possui pista de cooper, aparelhos de ginástica e uma pequena unidade móvel de exames de pressão arterial e medida de peso. É vizinho do Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais, e talvez por conta disso, o parque possui flora  e fauna bem diversificada, segundo um levantamento feito pela Fundação de Parques Municipais de Belo Horizonte. Outros parques lineares existem na cidade e outros estão para serem inaugurados, como o aguardado parque da Av. Tereza Cristina, em seu trecho que passa por Contagem, mas isso é assunto para outra postagem...

Um grande abraço para vocês e tenham uma ótima quarta-feira!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA


Olá pessoal,

Para contextualizar a fotografia de hoje, usarei o texto de um colega, o qual descreveu perfeitamente o viver Belo Horizonte em sua mais pura singeleza...

------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Caravulgar


Uma vez um amigo me perguntou como é viver no Brasil, e logo tratei de lhe dizer que tal resposta não existe, que este país são tantos que tal sentimento único seria de impossível definição.
Sobre o meu chão, Belo Horizonte, tentei lhe explicar, que de tão complicado, composto no nome e nas raízes, era, na verdade, muito simples. Curioso, ele me indagou o porquê. Ora, isto, como todo mineiro sabe, é história, ou, melhor dizendo, histórias.
Viver em Belo Horizonte é um ser diferente e um ser o mesmo. É representar o estado do ouro, da Inconfidência, do leite e da política, em gozo do contato com Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Goiás e Brasília, sem saber ao certo onde começamos e onde terminamos.
É suceder a bela Ouro Preto, eternamente guardada e conservada, para dar espaço ao progresso iminente. De ciclos em ciclos arquitetônicos, destruímos, reconstruímos, destruímos de novo e reconstruímos novamente, infinitamente, em busca da modernidade que já tínhamos sem sabê-la. Se a história colonial já nos parecia distante, nosso sonho magnânimo do século XX também esmiuçou-se pelas brisas que vinham do Sul, de bonde ou trem, recortando, fragmentando e colando a memória em adaptações urgentes, traçando novos caminhos, irradiados, complexos, às vezes turvos, porém nunca distantes diante do atalho à primeira esquina de 45º.
As esquinas, nossos corações que encontramos e perdemos, explodindo cruzamentos de avenidas, sempre com um olhar atento à próxima paixão secreta, nas brechas, entre as árvores, pessoas, postes, fiações e placas, não para que vejamos, mas para que vislumbremos um momento único, que mais óbvio ou menos óbvio, mata o tédio, nos rompe a tristeza ou a alegria, as lágrimas ou o riso.
Solitários ou acompanhados, choramos sem saber o porquê, e rimos de tudo e de nós mesmos, palhaços alquimistas, transformadores da raiva egoísta na perda do ego, da melancolia no bucolismo.
Fazemos de nosso esquecimento o segredo da tranqüilidade, que alivia nossos pés cansados de trabalho e encontros e acasos e ônibus e carros e táxis e rodovias e escadarias e bancas de revistas e assaltos e compras e contas e filas e festas e família e casas de amigos e calouradas e passeatas e bares e butecos e Comida di Buteco e excessivos eventos culturais e clubes e pubs e boates e restaurantes e shows e concertos e churrascos e jantares de negócios e reuniões e porres e acidentes e piscinas e feriados e rodoviária e aeroportos e trilhas e acampamentos e cachoeiras e viagens para praias e viagens para as cidades históricas e velórios e carnavais e hospitais e feira hippie e mercado central e futebol e vôlei e corrida e academias e morros que nem carros sobem e museus e museus e Praça da Liberdade e Inhotim e convenções e palestras e cinemas e exposições e desfiles e inaugurações e despedidas e bibliotecas e livrarias e sebos e cafeterias e Minascentro e Expominas e Palácio das Artes e teatros e FIT e FITO e FIQ e a puta que pariu e parques e praças e mirantes e vias-expressas e favelas que não são morros porque tudo é morro e viadutos e mais viadutos e túneis sob túneis e estações e passarelas e complexos e trincheiras e elevados e Afonso Pena trash até a Afonso Pena cool e Praça 7 e Praça Raul Soares e Savassi e Pampulha e todos os bairros que conhecemos como a palma de nossas mãos e outros tantos que nunca ouvimos falar e os que nunca iremos conhecer além do nome no ônibus e saudades e anseios e a ordem inversa de subir Bahia e descer Floresta que nunca fez sentido, mas sentido se perde quando e enquanto falamos até nos esquecermos. E pousa no além.
O além onde a contemplação cresce e o fim a fé desconhece, mas ele nos espreita, nus e abandonados. Dobramos a atenção, que ainda não nos custa nada, porque se custasse, aí seria diferente. Continuamos para o além, da nossa direção tridimensional, além, além, além da latitude e da longitude, guiada pelo relevo arredio de nossas serras, nossas únicas imagens sagradas e imutáveis, nosso lado indomável, nosso feroz animal de estimação de todo dia, que nos protege e nos faz experimentar o monumento e o medo.
Nos quadros instantâneos que capturamos prendemos a forma e a contra-forma, o ranger do solo contra os bairros sobre os morros gerais que trarão a escolha do melhor caminho e, se calhar, a sabedoria do tempo que gastamos pensando em como aproveitar o tempo em meio ao caos.
Pelas estradas e pelas tragédias, que são nossas e de mais ninguém, carregamos a nossa desgraça e a nossa alma ainda viva nos braços, em dunas de edifícios, nem muito profundos nem muito esguios. Viajamos mais com os olhos do que com o corpo, o lugar do pé é no chão. Rodamos pelo novo que se ergue a trancos sobre barrancos, em concreto, aço, granito, vidro e tinta, e o antigo nos parece tão belo quanto nossos mendigos, tão valiosos quanto nosso silêncio.
O silêncio aqui tem seu lugar, e quando não podemos mantê-lo o rasgamos como o jornal de ontem, de clássica, rock, pop, samba, bossa, forró, sertanejo, axé, jazz, r&b, hip hop, rap, eletrônica, salsa, surf, moda de viola, o que quiser junto, misturado, mixado e Clube da Esquina.
Cortamos as palavras com a faca do queijo, costuramos tudo novamente com as agulhas das costureiras de Santa Tereza, retiramos os termos que não nos parecem necessários ao separarmos o feijão do almoço de domingo e inventamos novos, tão novos que seus sentidos escapam de nós mesmos, mas os mantemos lá, enfeitando a sala de visitas, um presente velado. Clamamos por uma atenção breve pela palavra e dela nos despedimos com um sorriso, para aliviá-la de seu peso sobre a terra e o ar, porque muitas vezes preferiríamos tê-las evitado, como a cachaça da semana passada.
Ser reservado é como ser educado. Seguimos nos resumindo para não desperdiçar o tempo, diminuindo o mundo para nos aproximarmos e nos comunicarmos mais à vontade, fluindo palavras que, de tão próximas, parecem querer se abraçar, ou até mais. Através da afinidade da linguagem, em que meia (ou até uma fração menor) palavra basta, entramos em simbiose com nossas companhias, subindo e descendo, encurtando e alongando os dizeres, moldando e pintando os tons sobre a argila do artesão.
O capricho não está no todo, mas nos detalhes do que nos inspira maior importância. Fazer-se claro e objetivo é utilizar-se de olhares e expressões que podem dizer tudo ou nada, de sons curtos que brotam de nossas bocas, da terra e do asfalto, ora doces, ora duros, ora enigmáticos como a matéria da qual advém.
Nos voltamos para nós mesmos mais uma vez. Desaceleramos uma reflexão, outra observação, anotação concentrada e distraída antes de outro mergulho. Não curamos as nossas mazelas ou nossas misérias, mas nos afastamos dos riscos. Saltitamos pelo muro entre a convenção e o desejo mais inevitável e despudorado em sua ingenuidade, cujo estouro é uma surpresa mais notável aos olhos alheios que aos nossos. Agarramos uma última certeza, para sentir a camada rígida do solo mineral que nos une e desenha na linha do horizonte nossos limites, que nos impedem e nos desafiam à transposição de terras abençoadas e rios lendários, efeito este que para nós parece inexistir em quem cruza tais limites no sentido contrário.
Por notável boa vontade, quase feito, vos recebemos desconfiados, ainda que nossa simplicidade quase viciosa, disfarçada da gentileza e do calor que perdemos nas amigáveis sombras das árvores de nossos caminhos poluídos, acabe por nos escapar e nos tranqüilizar, mais uma vez.
Sentimos o gosto do novo que procuramos desde que aqui estamos, e assim que o sentimos o perdemos e fingimos para nós mesmos que ele ainda está lá enquanto tateamos entre a sincronia oposta e recortada. Nossas retas há muito tornaram-se curvas, amaciando o concreto e nossas preocupações, cujo mar distante não pode acalmar.
Nos desfazemos e nos refazemos do tato à procura do assombro, do incrível, da surpresa. Não do pioneirismo ou do reconhecimento, quando nem os nossos percebemos, mas do oposto perfeito à megalomania, do que está ao lado, tão real que podemos tocá-lo e cheirá-lo, tão irreal quanto os vilões heróicos nos quais depositamos nossos símbolos, nos fantasiamos de italianos, espanhóis, portugueses, japoneses, ingleses, chineses, franceses, e todos os eses e exes que nos encantam e nos aterrorizam nas esquinas.
O dia nasce novamente como um código de posturas que alimenta o corpo. Entre as montanhas somente luz. O calor sempre se atrasa, descongelando nossos corações um pouco mais tarde. Nossos prantos e nossos sonhos foram esquecidos novamente graças à noite, ao conforto e à comida. Se não corresponderam às nossas altas expectativas, um bom café há de resolver, melhor ainda em uma mesa, em uma prosa, sobre a qual nossas reclamações constantes cairão por terra e cairão sobre nós até cairmos com elas e nos levantarmos rumo à próxima esquina.
A poeira brilha sobre as fontes e as praças. O frio evoca a memória dos invernos passados que poliram nossas peles. O verão relembra tempestades anteriores, que lavaram nossas durezas e nossas sujeiras com a esperança dos ipês recoloridos, por nós e conosco. Acendemos velas por eles em nossas mentes.
Lembramos agora do que nos parece verdadeiro, do que levaremos para um dos inúmeros caminhos que poderemos pegar, sem saber ao certo o percurso do destino eterno. O jornal que ontem rasgamos não nos serve mais, se enterra, com livros de páginas amareladas e fotografias em jpeg. Revela-se o mistério do mistério e não precisamos mais nos encontrar. Veja só, nunca estivemos perdidos.
Nos lapidamos nos outros e os outros se lapidam em nós como se o céu limpo se espelhasse na lagoa cristalina de um passado que lembramos sem pesar. Uma casa não menos vazia que um dos antigos prédios art déco, um velho músico vagando levemente pela rua, as sombras das árvores projetando sombras pelo passeio, crianças correndo e um sino de uma igreja ao pôr-do-sol, o banco da praça visto do último andar, as luzes amarelas dos postes sobre a calçada portuguesa, uma dança na esquina acompanhada pelo vento do outono, um sorriso irônico no meio fio de um bar mal iluminado, o dilatar da pupila de olhos negros conforme o ritmo da música, atores de um só palco. De qualquer um uma poesia se desprende e se despede.

- por Rafael Magalhães

domingo, 4 de novembro de 2012

GUTIERREZ


O Gutierrez é um bairro nobre e está localizado na Zona Oeste de Belo Horizonte. Fica a menos de cinco quilômetros do Centro da cidade, possui comércio forte e agitado, com restaurantes, bares, shoppings e agências bancárias; dentre outros serviços. Está localizado em posição estratégica, entre duas regionais (Oeste e Sul) e é circundado por três grandes avenidas: Contorno, Amazonas e Raja Gabáglia. Apesar do perfil residencial, a alta valorização do bairro faz com que algumas casas cedessem espaço gradativamente à escritórios de pequenas empresas, além de empreendimentos residenciais de alto padrão.

Tenham um ótimo domingo!

sábado, 3 de novembro de 2012

TRANSITO URBANO


Ruídos, exageros, desespero,
Pára, anda, desanda,
Calor, frio, fumaça,
Acelera, freia, embaça
Excessos, gritos, agitação,
Frio, calor, que horror!

Tenho pressa, quero seguir,
Mas tem carros a me impedir.
Sinto sono, cochilo, medito.
E buzinas são soadas,
Pois a impaciência impera
No caos dessas estradas.

Veículos de todos os tipos:
Carros, motos, byke, caminhões.
Querem circular ao mesmo tempo,
Pois compromissos todos têm,
E necessitam ao seu destino chegar.
Haja paciência para a confusão enfrentar!

Carros básicos sofrem em demasia,
Quando o calor bate de frente,
Pois sem ar condicionado, não esfria.
Fumaças adentram pela janela,
Poluição sonora e visual perturbam,
Aquela necessária jornada rotineira.

Se isolar do mundo e do barulho,
Fechando os vidros e ligando o som,
Pode até ser uma solução,
Só que se precisa ficar antenado,
Nos sons agudos das sirenes,
Que aumentam mais aquela confusão.

Crianças no carro nesses momentos
Podem complicar e estressar
A pessoas que não estejam acostumadas,
Já que o falatório pode aumentar,
Com brigas, confusões e discussões,
Pois as crianças também ficam irritadas.

Uma boa dica nessa hora
É deixar para lá o estresse
E encarar a confusão numa boa,
Aproveitando para observar
A paisagem que esta ao seu redor,
Sabendo que é situação momentânea.

É possível observar pessoas nas calçadas,
Quantidade de árvores plantadas,
Cores e desenhos das fachadas,
Design e modelos dos veículos,
Avisos das placas de sinalização,
Que podem ajudar a desviar da confusão.

Se tiver passageiros, melhor.
Um bom bate papo pode rolar,
Pois dialogar é sempre útil
Para aproximar as pessoas,
Administrar e agendar programas
E passar o tempo de forma agradável

Cantar também é sempre bom,
Desde que em baixo volume,
Pois quem canta seus males espanta,
Muito bem disse um escritor certa vez,
Mas tome cuidado com excessos,
Pois não se pode perder a concentração.

O caos do trânsito urbano
Faz parte da paisagem contínua
De quem optou por residir na metrópole.
É real, é notícia de telejornal, dá ibope.
Só precisa ter paciência e se organizar
Para sair mais cedo e o trânsito evitar. 

- Rosana Nóbrega

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O CÉU DA CIDADE


Apesar do calor intenso que os belo-horizontinos têm vivido nos últimos dias - com máximas batendo recordes atrás de recordes, junto com pancadas de chuvas isoladas - a intensa variação climática é acompanhada de uma das mais belas representações abstrato-artísticas que a natureza nos oferece diariamente: o céu. Muitos consideram um céu bonito aquele que não possui nuvem alguma, com azul intenso e apenas isso. Eu já fico encantado quando o céu nos presenteia belas formações de nuvens, carregadas ou não, compondo o visual com o tradicional azul atmosférico. Minha paixão pelo céu já rendeu outros textos sobre ele aqui no blog. Eis um texto que escrevi que representa bem o meu fascínio pela abóbada celeste:

"Um dos maiores presentes que recebemos da natureza é o céu. Ele define a paisagem de nossa cidade e modifica as perspectivas conforme os dias avançam em direção às novas estações. O céu dita as regras do cromo da atmosfera, em sintonia com a intensidade do fulgor e o desenho das nuvens. Particularmente, desde menino eu sou apaixonado por essa imensa abóbada celeste que nos envolve e, ao mesmo tempo, nos faz livres para nos lançarmos ao ar, até onde a troposfera nos permite... ou não. Desde a antiguidade, o céu intriga o ser humano. Já almejamos as nuvens; e conquistamos. Já almejamos a lua terrestre; conquistamos. Já almejamos colocar nossos brinquedinhos eletrônicos no espaço; e lá se vão eles... um acaba de pousar em Marte, a fim de buscar um traço da humilde e ingênua existência terrestre no planeta vermelho. Cheios de questionamentos, o homem procura nos céus as respostas para suas questões. O espaço está sempre em movimento, as nuvens e os astros rodopiam; enquanto nós estamos enraizados junto às plantas e outros animais. Digo 'outros animais' pois as vezes nos esquecemos que não passamos de um, com um cérebro potencializado. Somos inteligentes, criamos nossas cidades, avançamos contra a vontade da natureza, usamos e esgotamos todas as fontes e recursos, buscando chegar à algum lugar que ninguém sabe onde. Enquanto isso, o céu nos observa, sóbrio, de forma parecer estar nos velando. Numa troca de 'olhares', nos damos conta da pequeneza humana; e da grandeza majestosa do universo. O céu por si só é o maior espetáculo que nós presenciaremos enquanto vivos. Só nos resta saber qual é a função disso tudo... se é que há uma função."

Uma ótima noite pra vocês e até amanhã!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

PERSONAGEM DA SEMANA: O AUXILIAR DOS CACOS


O lubrificador José Márcio Pinheiro da Rocha não esconde seu carinho pela obra que mais marcou sua vida: a Casa de Cacos. Idealizada pelo falecido geólogo Carlos Luís de Almeida, a casa é um dos mais icônicos pontos turísticos da Grande BH. Localizada na rua Ignez Glanzmann de Almeida, em Contagem, a casa, que é referência no mundo todo na arte de mosaico, foi construída entre 1963 e 1989, ano de falecimento do seu criador. Toda a casa, da fachada ao interior - móveis, adornos, eletrodomésticos, estátuas e afins - foram criadas em concreto e revestidas com fragmentos de louça e de vidro. Até o papel higiênico do banheiro e as roupas e sapatos do guarda-roupas foram recriadas com a modalidade, formando em todo o conjunto um mosaico de desenhos coloridos interessantíssimos. A obra ficou internacionalmente conhecida, recebendo doações de cacos de diversos países, além de ilustres visitantes, como Silvio Santos, Chacrinha, dentre outros. Com a morte do autor, a prefeitura de Contagem comprou a propriedade, mas não teve a capacidade de preservá-la, fechando-a para visitação desde 2005. Varias tentativas de restauração da casa, que atualmente se encontra em estado crítico de preservação, já foram levantadas por políticos e secretários de cultura da Região Metropolitana de BH, mas nada foi feito até então. Até o renomado artista plástico e professor da UFMG José Alberto Nemer visitou a obra a fim de avaliar os impactos que o descaso tem feito sobre ela e o que teria que ser feito para restaurá-la. Problemas a parte, a Casa de Cacos é um espetáculo, mesmo podendo-se observar apena sua fachada. Natural de Teófilo Otoni, José Marcio Pinheiro da Rocha, homem que ilustra a foto de hoje, foi o principal ajudante do geólogo na época da construção da obra. Ele conta que, aos nove anos de idade, se mudou com os pais para a residência em frente à Casa de Cacos em uma época a qual não havia nem asfalto na rua. Dez anos depois, aos 19 anos de idade, Rocha começou a ajudar o geólogo visionário à decorar a casa - e não parou mais. "Carlos Luís de Almeida foi mais que um pai para mim. Ele me ensinou a fazer mosaico, me instruiu uma profissão", conta, saudoso. Segundo José Márcio, todos os moradores da rua ajudavam o geólogo a revestir a casa e construir os móveis, levando fragmentos de vidro e louça da própria casa, quando deixavam um utensílio quebrar. "Até a Dona Lucy Geisel mandou trazer cacos vindos de Brasília para ajudar o Dr. Carlos em sua casa", conta José Márcio, sobre a ex-primeira-dama, mulher do ex-presidente Ernesto Geisel. Com a casa se consolidando, Rocha via o sonho do geólogo virar seu próprio sonho. A ideologia envolvida no revestimento da residência com fragmentos de peças de louça e vidro quebradas fez com que a vida de Carlos Luís de Almeida, então aposentado, ficasse focada em sua obra. Após sua morte, a tristeza pairou nos moradores da região, especialmente em José Márcio. Hoje, aos 49 anos, o teófilo-otonense diz se sentir muito consternado ao ver o total abandono da casa. "A Prefeita Marília Campos esteve aí há um tempo atrás, disse que ia tentar reformar a casa, mas nada aconteceu", conta o homem, inconformado com a situação. Dado o valor original e inusitado da Casa de Cacos, a renúncia e o desamparo total por parte das autoridades representam uma grande perda para os turistas e para todos os moradores da Grande BH. Por conta da total negligência apresentada, foi descartada a possibilidade da obra se integrar ao Circuito Cultural Internacional da Região Metropolitana de Belo Horizonte, para a Copa de 2014, ao lado da Igrejinha de Nossa Senhora do Ó, em Sabará; o Museu Contemporâneo de Inhotim, em Brumadinho e as já conhecidas atrações turísticas da metrópole mineira. 

- por Charles Tôrres

Arquivo do blog