quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

LABUTA


Indo em direção ao Centro da metrópole, me deparo com essa interessante perspectiva que mostra um operário no canteiro de uma das mais movimentadas avenidas que rasgam a Zona Norte de BH. Em meio à carros, poluição, barulho e um calor cuiabano que assola Belo Horizonte há duas semanas, lá estava o trabalhador, quieto, operando seu estrépito aparelho de fazer não-sei-o-quê, numa calmaria instigante como se estivesse sentado numa rede observando verdes campos catrumanos. Sua resignação ao tumulto marginal incomodava e encantava: uma máquina operando outra. Situação impressionante! Nem em meu silente escritório consigo promover tal sossego de espírito. Vejo nisso a rotina, que faz com que nos conformemos com o mesmo, abdicando nossos desígnios, freando o ímpeto mais profundo que move nossa vontade de mudar. Viramos máquinas operantes de um sistema que nem sabemos onde vai chegar, declinando nossos caprichos em prol do medo de fazer diferente. Nos acostumamos com o que é nos imposto, a fim de não desapontarmos nosso berço, nossas tradições retrógradas. Interessante é que podemos contemplar tal coisa em qualquer categoria... seja no dia a dia de uma doméstica, na rotina de um advogado, num ambiente corporativo ou num escritório de algum órgão público (nesse último é onde encontramos a raça mais frustrada). Isso galgou pelos meus diálogos internos enquanto o sinal não abria. Depois que abriu, liguei o rádio na CBN para saber quais eram as notícias do dia.

Tenham uma ótima noite!

2 comentários:

  1. Kra, ultimamente suas fotos tão com um efeito de HDR (bom, é o que eu imagino), que está fazendo as coisas parecerem CGI, muito foda!!

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    1. Valeu Rafa!!! É HDR sim... mas na verdade, toda foto minha é HDR. Algumas eu faço um HDR sutil, só pra destacar áreas escuras ou ofuscadas... outras eu "forço" os parâmetros do HDR pra conseguir esse toque mais artístico.

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