sexta-feira, 31 de agosto de 2012

INTENSIDADE URBANA


Grande, forte, viva, rica, inteligente, democrática, intensa, cultural, moderna, séria, divertida, conurbada, emancipada, bela, feia, extrovertida, densa, profissional. Marcada por multiculturalidades, multinacionalidades, crenças, raças e ideias, a grande metrópole mineira é verdadeiramente cosmopolita por vocação e conservadora por tradição. Estar em Belo Horizonte é experimentar uma cidade 24 horas, com estilo de vida que integra trabalho e lazer como se fossem uma situação naturalmente conjugada. BH sempre nos mostra a real predisposição de uma mega cidade, independente do quanto estima o cidadão. Estas e outras tantas pujanças estão presentes nas ruas, no paladar apurado de suas propostas gastronômicas e nos trajes e trejeitos de uma galera que não pára, todos os dias desenhando nas artérias da cidade suas respectivas histórias. 

Um grande abraço para vocês e até amanhã!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

MILIONÁRIOS
 
 
Concebido pelo artista plástico João Scuotto, o Cristo Redentor do Barreiro foi encomendado pelo italiano Caetano Pirri, célebre residente da região na década de 50. Inaugurado em 1956, o monumento possui cerca de doze metros de altura, e apesar de não ser muito conhecido por grande parte da população de Belo Horizonte, é o principal cartão postal da região do Barreiro, no extremo sul geográfico da metrópole. Sua localização privilegiada garante uma ótima vista da região e de regiões vizinhas.
 
Abraços à todos e até amanhã!

domingo, 26 de agosto de 2012

NO TOPO



Pampulha, Praça 7, Afonso Pena e Pirulito
Tudo ali é rito de cativante fonte de prosa
Horizonte embebido em aragem de luz
Soa o sino da Igreja da Boa Viagem
Abraço floresce tal qual sina de semente
Cultivada no regaço do Parque Municipal
O bate-papo termina no chope de um bar
Balcão de boteco se transforma em beira mar
Toda Belo Horizonte cheira a Mercado Central
Mineiro é sinônimo de encontro marcado
Ressabiado como se meeiro de algum ouro fosse
Nunca se perde nem anda a esmo
Tem a si mesmo como provinciana capital
Tece arte e canta no ‘clube da esquina’ do amor
Por isso percebe em BH o seu próprio interior!

Carlos Lúcio Gontijo

sábado, 25 de agosto de 2012

URBANIDADES


Existe naquela cidade, uma atmosfera urbana envolvente
Existe naquele lugar, uma imponência majestosa sem idade

Sem idade pra ser, pra crescer, pra revirar e se impor

Eu vi naquele local, uma galera de coração enorme
Eu vi naquelas pessoas, um carisma humano sem igual

Sem restrição, sem dissonância, sem medo de ser feliz

Eu senti naquele fogo, uma intensidade pulsatória enérgica
Eu senti naquele fluxo, uma vontade de estar no jogo

No jogo da vida, do ritmo, da força que move a metrópole

Eu cresci naquela aldeia, recheada de costumes e sabores
Eu cresci naquelas quadras, com pujança que incendeia

Que move, que inspira, que atiça a vontade da vida

Eu vi nos horizontes, uma metrópole que promete
Eu vi na paisagem, um futuro no vale dos montes

Eu vi.... Belo Horizonte.

Charles Tôrres

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

LOUVRE BRASILEIRO


A Praça da Liberdade é a praça mais bela que já tive o prazer de conhecer em toda minha vida. Possui uma flora variada, repleta de arborização intensa e frondosa. A praça fica na encruzilhada de quatro grandes vias da Região Central; e a arquitetura do seu entorno nos conta um pouco da história da cidade, com construções que vão do eclético ao contemporâneo, passando pelo neo-clássico, brutalista, modernista; dentre outros estilos que são o marco de suas respectivas épocas. A praça é sempre muito bem frequentada e costuma acomodar diversos eventos e shows durante o ano. Em outrora, o lugar foi o principal núcleo político de Minas Gerais e um dos principais do Brasil. Hoje ela se reserva à produção e divulgação cultural; com seus edifícios do entorno que aos poucos vão se transformando em museus e espaços destinados à exposições artísticas e científicas. Alguns já chamam o complexo de Louvre Brasileiro...

Um grande abraço pra vocês e até amanhã!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

CENTRAL


Eu sempre adorei metrô. Desde a primeira vez que andei. É como se fosse uma nave horizontal, um foguete espacial atravessando outra espécie de galáxia. Hoje entendo que o que sempre me fascinou foi o teletransporte que o metrô proporciona: você sai de um ponto e chega a outro, e o percurso não existe.

Nada pode ser mais prático: você está num lugar, aí embarca num vagão e dali a poços minutos desembarca em outro em outro bairro, sem precisar enxergar o que existe entre um e outro. Acho isso tão revolucionário, é quase uma desmaterialização, eu desapareço aqui e me materializo lá do outro lado, num passe de mágica. O túnel sem luz e sem vista panorâmica nos transplanta. Ao sair da estação, a geografia da cidade é outra, às vezes até o clima. Estava chovendo na parte leste, faz sol na margem do rio. E isto com uma rapidez que avião algum, nem com a mais alta tecnologia, poderá atingir. Que invenção fantástica. (...)

Martha Medeiros

terça-feira, 21 de agosto de 2012

REDONDAMENTE GELADA


Farto da rotina diária; esgotado das regras e oposições do sistema; impugnado da voz do chefe; derreado dos mandamentos que sua filosofia doutrinática lhe impõe; o homem procura no etanol uma dispersão, uma forma de se liberar das exigências no instante em que o líquido o relaxa. Nós somos boêmios por natureza, gostamos de extravasar as ideias e ideais ao saborear o golo. E à medida que chapamos os melões, nos metamorfoseamos e criamos coragem para dizer e fazer, sem nos preocuparmos com a situação imposta naquele momento. Esse é o poder da loira gelada. Droga lícita, sinônimo do exagero, do sobejo, da vontade de exceder o obstáculo, fazer diferente. Bagulho refrescante! 

Uma boa noite pra vocês e até amanhã.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

ABRAÇO GRÁTIS


"Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
palavras amenas
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
da própria candura

Gerreiros são pessoas
são fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos
por dentro do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sonho
que os tornem perfeitos

É triste ver meu homem
guerreiro menino
com a barra do seu tempo
com o nosso ideal
São frases perdidas num mundo
por sobre seus ombros
Eu vejo que ele sangra
Eu vejo que ele berra
a dor que tem no peito
pois ama e ama

Um homem se humilha
se castram seus sonhos
Seu sonho é sua vida
e vida é trabalho
E sem o seu trabalho
o homem não tem honra
E sem a sua honra
se morre, se mata

Não dá pra ser feliz,
não dá pra ser feliz..."

Luiz Gonzaga

domingo, 19 de agosto de 2012

ARNALDO


Carlos Drummond de Andrade, Ivo Pitanguy, Milton Campos e Guimarães Rosa foram apenas alguns ilustres jovens que estudaram no tradicional Colégio Arnaldo, localizado no coração do bairro Funcionários, próximo ao setor hospitalar. O nome da instituição é uma homenagem à um dos fundadores da Congregação do Verbo Divino, o alemão Arnaldo Janssen. Centenário, o colégio foi, por várias gerações do início do século passado, a principal instituição de ensino da elite de Belo Horizonte. 

Um ótimo domingo pra vocês e até amanhã!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012


Atenção pessoal,

Até segunda-feira eu estarei postando fotos do dia que não foram tiradas exatamente naquele dia. Estou em Brasília desde ontem; e por isso estou postando fotografias que fiz há algum tempo. Até pensei em ficar esse período sem postar nada, mas não quero deixar o blog sem movimento. 

Também por esse motivo, não estou escrevendo meus próprios textos. Na correria entre aniversário de sobrinho, casa da mãe e da sogra, não estou tendo tempo para escrever.

A partir de segunda-feira tudo se normalizará.

Um grande abraço pra vocês e tenham um ótimo fim de semana!!!
RIO DE ASFALTO E GENTE


Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem se lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo...

Porque se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos...

E lá se vai mais um dia
E basta contar compasso
E basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração na curva
De um rio...

E lá se vai...

E o rio de asfalto e gente
Entorna pelas ladeiras
Entope o meio-fio
Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente...

E lá se vai...

Milton Nascimento / Clube da Esquina

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

TEREZA BEATA


Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um vôo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal

Mensageiro natural de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Mas eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou

Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quer acreditar
Eu apenas era
Cavaleiro marginal lavado em ribeirão
Cavaleiro negro que viveu mistérios
Cavaleiro e senhor de casa e árvores
Sem querer descanso nem dominical

Cavaleiro marginal, lavado em ribeirão
Conheci as torres e os cemitérios
Conheci os homens e os seus velórios
Eu olhava da janela lateral
Do quarto de dormir
Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal

Um cavaleiro marginal, banhado em ribeirão
Você não quer acreditar...

Lô Borges

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

PARAÍSO


Um dos maiores presentes que recebemos da natureza é o céu. Ele define a paisagem de nossa cidade e modifica as perspectivas conforme os dias avançam em direção às novas estações. O céu dita as regras do cromo da atmosfera, em sintonia com a intensidade do fulgor e o desenho das nuvens. Particularmente, desde menino eu sou apaixonado por essa imensa abóbada celeste que nos envolve e, ao mesmo tempo, nos faz livres para nos lançarmos ao ar, até onde a troposfera nos permite... ou não. Desde a antiguidade, o céu intriga o ser humano. Já almejamos as nuvens; e conquistamos. Já almejamos a lua terrestre; conquistamos. Já almejamos colocar nossos brinquedinhos eletrônicos no espaço; e lá se vão eles... um acaba de pousar em Marte, a fim de buscar um traço da humilde e ingênua existência terrestre no planeta vermelho. Cheios de questionamentos, o homem procura nos céus as respostas para suas questões. O espaço está sempre em movimento, as nuvens e os astros rodopiam; enquanto nós estamos enraizados junto às plantas e outros animais. Digo 'outros animais' pois as vezes nos esquecemos que não passamos de um, com um cérebro potencializado. Somos inteligentes, criamos nossas cidades, avançamos contra a vontade da natureza, usamos e esgotamos todas as fontes e recursos, buscando chegar à algum lugar que ninguém sabe onde. Enquanto isso, o céu nos observa, sóbrio, de forma parecer estar nos velando. Numa troca de 'olhares', nos damos conta da pequeneza humana; e da grandeza majestosa do universo. O céu por si só é o maior espetáculo que nós presenciaremos enquanto vivos. Só nos resta saber qual é a função disso tudo... se é que há uma função.

Uma ótima noite pra vocês e até amanhã!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

CONTORNO


Circular, circundante, contornante, constringente. Seus 13km de perímetro abraçam a zona central de uma das maiores metrópoles do planeta; enlaçam uma região de grandes manobras empresariais; transformam uma área de 9km² no terceiro maior distrito financeiro da nação, abrangendo a maior área comercial deste mundo chamado Belo Horizonte. Batizada originalmente de Avenida 17 de Dezembro, seu traçado rasga ao meio centenas de quadras, afim de circuitar a primeira área urbana planejada do Brasil. Via de altos e baixos relevos, classes sociais e surpresas, a qual permite acesso às principais grandes artérias da cidade. Percurso que garante chegarmos ao ponto em que partirmos sem grandes questões. Duto conhecido intimamente por grande parte dos moradores da urbe, por onde se passam (ou cruzam) mais de 500 mil veículos diariamente. Essa é a majestosa Avenida do Contorno!

Um grande abraço pra vocês e até amanhã.

sábado, 11 de agosto de 2012

PAPAGAIO




Eu só quero é ser feliz,
Andar tranqüilamente na favela onde eu nasci, é.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.
Mas eu só quero é ser feliz,
Feliz, onde eu nasci.
E poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre
Tem seu lugar.

Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer,
Com tanta violência eu sinto medo de viver.
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado,
A tristeza e alegria que caminham lado a lado.
Eu faço uma oração para uma santa protetora,
Mas sou interrompido à tiros de metralhadora.
Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela,
O pobre é humilhado, esculachado na favela.
Já não aguento mais essa onda de violência,
Só peço a autoridade um pouco mais de competência.

Diversão hoje em dia, não podemos nem pensar.
Pois até lá nos bailes, eles vem nos humilhar.
Fica lá na praça que era tudo tão normal,
Agora virou moda a violência no local.
Pessoas inocentes, que não tem nada a ver,
Estão perdendo hoje o seu direito de viver.
Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela,
Só vejo paisagem muito linda e muito bela.
Quem vai pro exterior da favela sente saudade,
O gringo vem aqui e não conhece a realidade.
Vai pra zona sul, pra conhecer água de côco,
E o pobre na favela, vive passando sufoco.
Trocaram a presidência, uma nova esperança,
Sofri na tempestade, agora eu quero abonança.
O povo tem a força, precisa descobrir,
Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui.

Diversão hoje em dia, nem pensar.
Pois até lá nos bailes, eles vem nos humilhar.
Fica lá na praça que era tudo tão normal,
Agora virou moda a violência no local.
Pessoas inocentes, que não tem nada a ver,
Estão perdendo hoje o seu direito de viver.
Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela,
Só vejo paisagem muito linda e muito bela.
Quem vai pro exterior da favela sente saudade,
O gringo vem aqui e não conhece a realidade.
Vai pra zona sul, pra conhecer água de côco,
E o pobre na favela, passando sufoco.
Trocada a presidência, uma nova esperança,
Sofri na tempestade, agora eu quero abonança.
O povo tem a força, só precisa descobrir,
Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui.

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranqüilamente na favela onde eu nasci.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.
Mas eu só quero é ser feliz.
Feliz, onde eu nasci, é.
E poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre
Tem seu lugar.

Cidinho e Doca

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

MARCHA LUNAR


Andar perene, solene, ao véu do sol. Luz aterra a lua, ofusca o lume fixo e seduz o seu freguês. O poeta já entende e o amante é professor. O croma deste brilho desperta... sou amador!

Continuo pelo torto pois há paus e pedras no meio do caminho. Afim de encontrar, uma jornada lunar. Pois me entrego ao esforço aflito e sei que estou num errado lugar.

Procuro o comandante do caminhar sincronizado, ao astro dominante, à musa dos inquietos. Quero extorquir dessa viagem sem volta para o indecifrável ser humano; e para o questionamento misto... o veredicto do funcionamento, da máquina circulante.

Observo a companheira da toca humana. Um passeio interessante ao aspecto nulo, todo-poderoso. Observo ainda que sou filho desse aspecto. E como bom herdeiro, acabo me entregando.

Enfim, vou pesquisar: obcecado ou indiferente? Eclipse em nossas cabeças, escurecendo o caminhar. Talvez, um destino sem respostas. Não desistirei afinal... continuarei tentando achar... a minha marcha lunar.

Charles Tôrres

terça-feira, 7 de agosto de 2012

MARCO ZERO


A grandeza de um lugar não é representada apenas por sua imponência ou por sua história. É também simbolizada pela capacidade que o local tem de se reerguer quando parecer não haver mais esperanças para ele. A famosa Praça Raul Soares, marco zero de Belo Horizonte, é um exemplo dessa metamorfose. Em outrora, foi tomada por sujeira, mendigos e histórias pra lá de assustadoras. Antes de sua recente reforma, ninguém arriscava cruzar a praça, onde hoje o verde e a vivacidade tomam conta. A Raul Soares possui traçado em estilo francês e desenhos de motivos indígenas, formados pelas belas pedras portuguesas em seu calçamento. Já foi palco de grandes revoluções, passeatas; deu origem a um grande bairro; acomodou simbólicos eventos e diversos festivais. Hoje, madura, ela se reserva a ser apenas um local de descanso e desfrute do cidadão que por ali vive ou trabalha. Possui música erudita como som ambiente, em auto-falantes espalhados pela região. Sua fonte central acompanha a música conforme sua intensidade se discrepa. Nada mais sublime, no coração da mais verticalizada região da metrópole...

Tenham uma ótima noite!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

DEPOIS DAQUELE JAZZ


O som das ruas... as notas sanguíneas... o dedilhado ardente do pianista ainda reage dentro de mim e eu não quero esquecer o clímax da última peça tocada. Meu café esfriou, vou comprar etanol para esquentar a consciência. Saio do pub em direção ao meu apartamento a fim de revelar o filme que se encontra no interior da Leica. Pretendo perpetuar a expressão selvagem do contra-baixista colocando mais groove no swing da banda. Perfeito momento onde o jazz nos acompanha. Estilo de ritmos variados, acordes audaciosos, instrumentistas dedicados de forma parecerem fundir-se com a própria música... ousadia! Notas improvisadas numa plataforma polirrítmica; e por ora, síncopa. Passeio sobre a calçada tentando reaver cada sensação, cada emoção daquele momento jazzístico, funkadélico. O dia foi-se embora junto com a temporada e sinto como se não vendessem mais pilhas para meu rádio... ano que vem tem mais.

Charles Tôrres

domingo, 5 de agosto de 2012

CLÁSSICA


Modernista, contemporânea, barroca, manuelina, brutalista, neoclássica, eclética, art-déco, industrial, gótica, neocontemporânea, clássica...

Belo Horizonte possui uma mescla de estilos arquitetônicos que definem o caráter pluralista e cosmopolita da metrópole. A urbe se destaca no cenário internacional com seu acervo arquitetônico que remete os principais estilos dos séculos XIX e XX. Com o conjunto arquitetônico da Pampulha, a cidade é berço da brilhante carreira do maior arquiteto brasileiro de todos os tempos, Oscar Niemeyer - o qual costuma dizer que a Pampulha é a mãe de Brasília. Ao andarmos pela cidade, especialmente pela sua Região Central, percebemos nitidamente os estilos se fundindo por entre quadras e quarteirões com uma perfeita plasticidade e volubilidade. Tal fato talvez queira nos transmitir o espírito flexível e mutável do cidadão mineiro; a forma como ele se renova conforme o tempo dita as regras. A terceira maior cidade do país se mostra por si só um curso de arquitetura ao ar livre... e seus habitantes, uma aula de delicadeza, caráter e hospitalidade.

Uma boa noite pra vocês e tenham uma ótima semana!

sábado, 4 de agosto de 2012

PULSE


O clima de montanha, o céu inconstante, o cidadão misterioso, a urbe gigante, as imensas avenidas que rasgam bairros ao meio como navalhas. Ando pela cidade sentindo sua atmosfera de metrópole, pensando como pode haver um lugar tão intenso e extenso, com milhares de cidadãos vivendo em uma relativa harmonia. Prédios que parecem querer tocar os céus, civis com apreço pelo futuro. Uma urbe poderosa e magnânima; com culturas e tradições que vão se moderando e alternando conforme vamos nos avançando em suas longínquas regiões. Como pilar central da economia de um dos principais estados da nação, Belo Horizonte pulsa e o mundo toma nota. E conforme o tempo avança, a cidade se transforma, afim de se destacar cada vez mais entre o olimpo das maiores metrópoles do planeta.

Tenham uma excelente tarde e até amanhã!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

FLUXO


Perambulam por ai,
Confusos cidadãos,
Preocupados, ocupados em pensamentos,
Que os despoja do corpo, da rua, da multidão...
Corpo que prossegue autômato, solitário...

Vasculham-se lixeiras,
A cata da sobra das sobras.
Um foi assaltado e estuprado.
Onde está o assaltante?
Onde está o estuprador?
Sumiram na multidão,
Na multidão não existe ninguém.

É a cidade grande com suas regras
Que não atrasam,
Dilemas sem solução,
Sombras de outras sombras.

Acomoda em seu ventre flácido, sem atrativos,
Aqueles que lhe creditam santidade obscena,
Aqueles que não têm porque reclamar É você cidade suicida,
Quem me tira o sono
No pranto triste
Do menino que chora sem corpo,
Sem rosto, sem lágrimas;
Que me deixa triste, sem tristeza, por dentro...
Como chora esse menino de ninguém!

Cidade caos,
Cidade modernidade,
Cidade fatalidade,
Cidade eternidade,
Vai aos tropeços,
Aos saltos,
Acovarda-se na tempestade noturna,
Amanhece alegre sem passado,
Como a serpente que engole um bezerro,
Não explode por quê?

Suporta até a si mesma
Narcisa cretina!
Nutre-se do caos
Que te exorciza o lamento.
Segue resistindo,
Incomodando, corrompendo, matando,
Florescendo, concebendo,
Amanhece cada dia mais eterna.

Frederico Rego Jr

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

EXPECTATIVA


"Contei meus anos e descobri
Que terei menos tempo para viver do que já tive até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicentemente.
Mas, percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Inquieto-me com os invejosos tentando destruir quem eles admiram
Cobiçando seus lugares, talento e sorte
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas
As pessoas não debatem conteúdo, apenas rótulos
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos
Quero a essência.... Minha alma tem pressa
Sem muitas jabuticabas na bacia
Quero viver ao lado de gente humana... muito humana...
Que não foge de sua mortalidade.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade."

Rubem Alves

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