segunda-feira, 27 de julho de 2015

ESTE MUNDO CHAMADO BELO HORIZONTE




A cidade é um cerne, o miolo da colmeia humana. No cair da noite, pousei sobre uma torre, entreposta por bairros esquecidos ao dejeto histórico. Observei a urbe e toquei meus olhos em diante, caminhando a vista sobre as paisagens. Pus-me a meditar sobre o que apreciava. Cidadãos afadigados, perambulantes e aflitos, vítimas do acaso, mas crentes no transcendente físico. Deus? Jovens e velhos, ansiosos pelos feriados e fins de semana, abalroados pela cultura de massa, a qual os faz acreditar que os fins são os meios. Somos detentores de limitado período de vida, e ainda assim, nos arrastamos em prol de um simples pedaço de chão, um pedaço de pão e uma certa ostentação. E não adianta falarmos de visão de vida, atitudes diligentes e pensamentos progressistas. Sempre querem viver o fulano way of life. Originalidade é para poucos. Daí chegamos a conclusão que as pessoas sofrem de extrema falta de conteúdo. E não adianta discutir, pois julgam os ousados de irresponsáveis. Nem costumam dialogar sobre tal, o que não passa de uma atitude apática. Receio à discussão é recalque de passivo. Por isso eu digo: saber transpor a cidade e o ser humano é uma virtude que vai muito além do alarido filosófico. Quando estimulamos isso, estamos nos permitindo seguir o fluxo de modo não encontrar barreiras na vicissitude da vida. Essencial para pessoas que buscam algo além do convencional. Fé na tábua!

- Charles Tôrres

2 comentários:

  1. Você podia retratar mais a torre Alta Vila. Fazer fotos dela inserida na paisagem daquela região. Essa torre é muito bela e pouco mostrada.
    E parabéns pelo trabalho. Não vou falar da excelência e importância dele porque você já não deve ser novidade pra você.

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  2. Vou aproveitar e sugerir uma pauta também: O Museu de Artes e Ofícios. Importantíssimo, porque ele fala do trabalho que poucos notam - o trabalho manual, sem glamour, mas sem o qual ninguém se veste, ninguém teria casa pra morar, enfim - pra que tenhamos um simples remédio pra dor na palma da mão tem milhares de horas de trabalho anônimo incorporado ali. O Museu nos conta a evolução desses trabalhos, ao longo da história. Lembrando sempre que ele é formado por dois blocos, antes e depois da passagem debaixo dos trilhos. Ah ... mandei entregar três livros na sua casa. Espero que tenham chegado direitinho.

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