quarta-feira, 1 de julho de 2015

CARLOS E PEDRO


Sempre adorei intervenções urbanas; efêmeras ou não. A última que vi é no mínimo icônica: colocaram vestimentas na estátua de Carlos Drummond de Andrade, que faz companhia para a estátua de Pedro Nava, na Rua da Bahia, na confluência com a Rua Goiás, no Centro de Belo Horizonte. A roupagem traz trechos da obra de Drummond e faz uma alusão ao frio que estacionou em BH nos últimos dias, com mínimas que chegaram a 9º e máximas que não passaram de 19º em alguns dias; além das fortes rajadas de vento, despencando em muito a sensação térmica. As esculturas, realizadas pelo artista plástico mineiro Leo Santana em 2003, retratam dois dos maiores escritores brasileiros dos últimos tempos, que apesar de não serem nascidos na capital mineira, fizeram carreira por aqui, participando da geração modernista de BH. Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava se conheceram na capital e iam com frequência ao Café Estrela, local muito visitado por escritores da época. Drummond costumava dizer que o amigo possuía uma capacidade meio demoníaca e meio angélica de transformar em palavras o mundo feito de acontecimentos. Sem dúvidas um pedacinho do início do século passado em nossa contemporaneidade.

- Charles Tôrres

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