segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Atenção pessoal,
Nos próximos dias, o "BH - Uma foto por dia!" estará passando por uma mudança radical em seu visual e em sua estrutura. O blog passará a ser um site de interface mais simples e dinâmica - e a forma de visualização das fotos mudará completamente. Por conta disso, o blog ficará inativo por mais ou menos dez dias.
Espero que compreendam! Voltem em breve para verem o resultado.
Abraços à todos,
Charles Tôrres
sábado, 17 de novembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
BELÔ
Belo Horizonte acomoda o terceiro maior centro financeiro e comercial do Brasil. Com oito empresas figurando entre as cem maiores do país, é a terceira no ranking nacional desta classificação. Pujante, o centro de BH (também chamado de Hipercentro) é um formigueiro. Das 6h às 22h a região se entope de carros, ônibus, motos e as mais diversas representações humanas. Lá você encontra o engravatado executivo indo trabalhar numa grande empresa; o esporte-fino indo ocupar seu posto num banco; o comerciante simples dono de um café; a perua falsa-loura dona de um cabeleireiro; o designer, o fotógrafo, o jornalista, o pedreiro, o marceneiro, o ladrão, o punk, o rapper, o hipster, o clubber, o hippie... inclusive já fui atacado por um exemplar desse último em plena Rua Rio de Janeiro! Mas isso é assunto pra outro post...
Abraços a todos!
terça-feira, 13 de novembro de 2012
LINHA VERDE
A Linha Verde é um sistema viário que conta com aproximadamente 40km de extensão e liga a região central da metrópole ao seu aeroporto internacional. Corta diversas zonas da cidade (dentre regionais e municípios); e possui uma estrutura urbanística complexa, com túneis, viadutos, elevados, metrô (por entre mãos), busway e o futuro BRT.
Tenham um ótimo dia!
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
FRENESI URBANO
Ainda que muitos não percebam, há algo demasiadamente excitante em viver em uma grande metrópole. A liberdade de expressão, a criatividade, a galhardia e as possibilidades se potencializam conforme o tamanho da urbe. São locais que nos proporcionam a deliberação de opiniões sem julgamentos. Nas mega-cidades somamos maiores quilometragens no ir e vir sem que isso se torne tedioso, conforme curioso for o cidadão. São tantos eventos e acasos acontecendo simultaneamente que temos uma certa dificuldade de abstrair tudo; e quando não conseguimos ingerir todas as perspectivas com as quais topamos durante o dia, chegamos em casa exaustos. Para entender o que estou querendo dizer, basta passear uma manhã no Centro de Belo Horizonte. Costumo dizer que há mais coisa entre Venda Nova e o Barreiro; e entre Sabará e Betim; que julga nossa vã filosofia. De qualquer modo, as metrópoles para mim são sinônimos de emancipação. Nelas, temos autonomia para fazer, refazer, mudar, voltar, criar, tentar novamente. Ousamos, persuadimos, somos persuadidos, nos inspiramos. Corremos contra o tempo e à favor dele. Lugar de se misturar invisivelmente na multidão. As possibilidades beiram o infinito de modo desconhecermos cada vez mais o mais explorados espaços. Quando contraímos o espírito metropolitano, destememos e quebramos quaisquer que sejam os padrões, a fim de conviver com o novo. Vivam os milhões de habitantes e suas opiniões. Viva o pão de queijo que ainda me surpreende, mesmo sendo meu velho conhecido.
Um grande abraço pra vocês e tenham uma ótima noite!
domingo, 11 de novembro de 2012
BELVEDERE
O Belvedere é um dos mais valorizados bairros de Belo Horizonte e figura entre os mais caros do Brasil. O bairro cresceu ao redor do primeiro shopping da cidade, o BH Shopping, o qual foi inaugurado em 1979. Sinônimo de luxo e magnificência, a região conta com apartamentos que podem ultrapassar os 20 mil reais o metro quadrado, além de comércio forte e diversificado, com restaurantes, bares, shoppings, edifícios empresariais e centenas de lojas de rua. Fica a aproximadamente dez quilômetros do Centro e é uma das zonas mais altas da metrópole, acomodando-se em uma altitude de aproximadamente 1.200 metros acima do nível mar. A partir do bairro tem-se uma vista espetacular da cidade.
Tenham uma ótima noite!
sábado, 10 de novembro de 2012
MIGUELANGELO
A estética e a beleza foram objetos de estudo em toda a história da arte e da filosofia. No meio popular, a estética faz referência à beleza e suas proporções. A feiura sempre foi evitada por demonstrar sinais de imperfeição. Já no conceito filosófico, o feio pode vir a se tornar o belo, dependendo da forma como é tratado o objeto exposto. Ao nos expressarmos artisticamente, não estamos preocupados em atingir objetivos que agradem padrões de beleza preestabelecidos pela sociedade. Queremos mostrar algo novo, mesmo que seja a partir de algo velho. Usamos o conjunto da obra e seu contexto social para criar uma peça a ser exibida e apreciada. Isso estimula - tanto no criador quanto no espectador - o interesse em avançar sobre as semióticas predispostas; enxergar além do alcance, sintetizar os pequenos detalhes em grandes perspectivas. Evoluímos nossa capacidade de abstração de conceitos determinados pela massa e conseguimos desfrutar mais de situação posta em nosso cotidiano. Saber apreciar o belo vai muito além do alarido filosófico. Quando estimulamos isso, estamos nos permitindo seguir o fluxo de modo não encontrar barreiras na vicissitude da vida. Essencial para pessoas que buscam algo além do convencional...
Tenham um ótimo dia!
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
FREK
“O verdadeiro ato de descoberta não consiste na busca de novas terras, mas em vê-las com novos olhos”.
O francês Marcel Proust não poderia estar mais lúcido ao conceber essa frase. Somos frutos da imposição de um sistema regido pela rotina e pela sequência de fatos diários, que nos colocam numa cadeia de acontecimentos, ora distintos, ora semelhantes... os quais, mesmo que interpostos, fazem do conjunto uma massa de única e inalterável. Somos programados a estudar pra entrar na faculdade, formar pra conseguir um bom emprego, trabalhar pra conseguir uma promoção, nos exercitar pra ter saúde, ver notícias pra ter o que comentar, se impor para não se abalar, acreditar em um deus pra não ter medo do dia seguinte. Nos vangloriamos por ter opinião formada, mas poucos se tocam que essa opinião não passa de uma reestruturação do conceito de outro indivíduo. Por mais que tentamos olhar pra frete ou para o alto, nossa visão periférica sempre vai enxergar o próprio nariz. Na teia em que vivemos raramente olhamos para os lados. Mas quando olhamos, descobrimos um mundo novo. Um mundo de possibilidades. Um mundo onde podemos construir outros mundos, mesmo que dentro do próprio quarto. Quando aprendermos a enxergar as coisas além do mostrado, estamos nos instruindo a dar valor às pequenas coisas, dar mais doçura ao nosso dia-a-dia e descobrindo novas possibilidades. Essa é minha filosofia. Aqui no meu blog eu quero mostrar pra vocês uma visão diferenciada da nossa belíssima cidade e aprendendo, junto com vocês, a olhar além do alcance, em busca de novos horizontes dentro da nossa Belo Horizonte!
Uma boa noite pra vocês e até amanhã!
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
PADRE EUSTÁQUIO
A estética e a beleza foram objetos de estudo em toda a história da arte e da filosofia. No meio popular, a estética faz referência à beleza e suas proporções. A feiura sempre foi evitada por demonstrar sinais de imperfeição. Já no conceito filosófico, o feio pode vir a se tornar o belo, dependendo da forma como é tratado o objeto exposto. Ao nos expressarmos artisticamente, não estamos preocupados em atingir objetivos que agradem padrões de beleza preestabelecidos pela sociedade. Queremos mostrar algo novo, mesmo que seja a partir de algo velho. Usamos o conjunto da obra e seu contexto social para criar uma peça a ser exibida e apreciada. Isso estimula - tanto no criador quanto no espectador - o interesse em avançar sobre as semióticas predispostas; enxergar além do alcance, sintetizar os pequenos detalhes em grandes perspectivas. Evoluímos nossa capacidade de abstração de conceitos determinados pela massa e conseguimos desfrutar mais de situação posta em nosso cotidiano. Saber apreciar o belo vai muito além do alarido filosófico. Quando estimulamos isso, estamos nos permitindo seguir o fluxo de modo não encontrar barreiras na vicissitude da vida. Essencial para pessoas que buscam algo além do convencional.
Tenham uma ótima noite!
terça-feira, 6 de novembro de 2012
BROTHERS IN ARMS
A Avenida José Cândido da Silveira é a via que liga a Avenida Cristiano Machado à Rodovia MG-005 e divide as regionais leste e nordeste da capital mineira. Com aproximadamente 4 quilômetros de extensão, o logradouro seria apenas mais um dentre os milhares existentes na metrópole, se não fosse pelo seu maior diferencial: o parque linear. O conceito é novo (e está cada vez sendo mais difundido entre as grandes cidades do planeta) e consiste na implementação de um parque nas margens ou no centro de grandes avenidas. É uma derivação de boulevard, mas este último tem um perfil mais paisagístico, enquanto o parque linear tem um caráter mais ecológico. Com cerca de 52 mil metros quadrados, a grande alameda possui pista de cooper, aparelhos de ginástica e uma pequena unidade móvel de exames de pressão arterial e medida de peso. É vizinho do Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais, e talvez por conta disso, o parque possui flora e fauna bem diversificada, segundo um levantamento feito pela Fundação de Parques Municipais de Belo Horizonte. Outros parques lineares existem na cidade e outros estão para serem inaugurados, como o aguardado parque da Av. Tereza Cristina, em seu trecho que passa por Contagem, mas isso é assunto para outra postagem...
Um grande abraço para vocês e tenham uma ótima quarta-feira!
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA
Olá pessoal,
Para contextualizar a fotografia de hoje, usarei o texto de um colega, o qual descreveu perfeitamente o viver Belo Horizonte em sua mais pura singeleza...
------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Caravulgar
Uma vez um amigo me perguntou como é viver no Brasil, e logo tratei de lhe dizer que tal resposta não existe, que este país são tantos que tal sentimento único seria de impossível definição.
Sobre o meu chão, Belo Horizonte, tentei lhe explicar, que de tão complicado, composto no nome e nas raízes, era, na verdade, muito simples. Curioso, ele me indagou o porquê. Ora, isto, como todo mineiro sabe, é história, ou, melhor dizendo, histórias.
Viver em Belo Horizonte é um ser diferente e um ser o mesmo. É representar o estado do ouro, da Inconfidência, do leite e da política, em gozo do contato com Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Goiás e Brasília, sem saber ao certo onde começamos e onde terminamos.
É suceder a bela Ouro Preto, eternamente guardada e conservada, para dar espaço ao progresso iminente. De ciclos em ciclos arquitetônicos, destruímos, reconstruímos, destruímos de novo e reconstruímos novamente, infinitamente, em busca da modernidade que já tínhamos sem sabê-la. Se a história colonial já nos parecia distante, nosso sonho magnânimo do século XX também esmiuçou-se pelas brisas que vinham do Sul, de bonde ou trem, recortando, fragmentando e colando a memória em adaptações urgentes, traçando novos caminhos, irradiados, complexos, às vezes turvos, porém nunca distantes diante do atalho à primeira esquina de 45º.
As esquinas, nossos corações que encontramos e perdemos, explodindo cruzamentos de avenidas, sempre com um olhar atento à próxima paixão secreta, nas brechas, entre as árvores, pessoas, postes, fiações e placas, não para que vejamos, mas para que vislumbremos um momento único, que mais óbvio ou menos óbvio, mata o tédio, nos rompe a tristeza ou a alegria, as lágrimas ou o riso.
Solitários ou acompanhados, choramos sem saber o porquê, e rimos de tudo e de nós mesmos, palhaços alquimistas, transformadores da raiva egoísta na perda do ego, da melancolia no bucolismo.
Fazemos de nosso esquecimento o segredo da tranqüilidade, que alivia nossos pés cansados de trabalho e encontros e acasos e ônibus e carros e táxis e rodovias e escadarias e bancas de revistas e assaltos e compras e contas e filas e festas e família e casas de amigos e calouradas e passeatas e bares e butecos e Comida di Buteco e excessivos eventos culturais e clubes e pubs e boates e restaurantes e shows e concertos e churrascos e jantares de negócios e reuniões e porres e acidentes e piscinas e feriados e rodoviária e aeroportos e trilhas e acampamentos e cachoeiras e viagens para praias e viagens para as cidades históricas e velórios e carnavais e hospitais e feira hippie e mercado central e futebol e vôlei e corrida e academias e morros que nem carros sobem e museus e museus e Praça da Liberdade e Inhotim e convenções e palestras e cinemas e exposições e desfiles e inaugurações e despedidas e bibliotecas e livrarias e sebos e cafeterias e Minascentro e Expominas e Palácio das Artes e teatros e FIT e FITO e FIQ e a puta que pariu e parques e praças e mirantes e vias-expressas e favelas que não são morros porque tudo é morro e viadutos e mais viadutos e túneis sob túneis e estações e passarelas e complexos e trincheiras e elevados e Afonso Pena trash até a Afonso Pena cool e Praça 7 e Praça Raul Soares e Savassi e Pampulha e todos os bairros que conhecemos como a palma de nossas mãos e outros tantos que nunca ouvimos falar e os que nunca iremos conhecer além do nome no ônibus e saudades e anseios e a ordem inversa de subir Bahia e descer Floresta que nunca fez sentido, mas sentido se perde quando e enquanto falamos até nos esquecermos. E pousa no além.
O além onde a contemplação cresce e o fim a fé desconhece, mas ele nos espreita, nus e abandonados. Dobramos a atenção, que ainda não nos custa nada, porque se custasse, aí seria diferente. Continuamos para o além, da nossa direção tridimensional, além, além, além da latitude e da longitude, guiada pelo relevo arredio de nossas serras, nossas únicas imagens sagradas e imutáveis, nosso lado indomável, nosso feroz animal de estimação de todo dia, que nos protege e nos faz experimentar o monumento e o medo.
Nos quadros instantâneos que capturamos prendemos a forma e a contra-forma, o ranger do solo contra os bairros sobre os morros gerais que trarão a escolha do melhor caminho e, se calhar, a sabedoria do tempo que gastamos pensando em como aproveitar o tempo em meio ao caos.
Pelas estradas e pelas tragédias, que são nossas e de mais ninguém, carregamos a nossa desgraça e a nossa alma ainda viva nos braços, em dunas de edifícios, nem muito profundos nem muito esguios. Viajamos mais com os olhos do que com o corpo, o lugar do pé é no chão. Rodamos pelo novo que se ergue a trancos sobre barrancos, em concreto, aço, granito, vidro e tinta, e o antigo nos parece tão belo quanto nossos mendigos, tão valiosos quanto nosso silêncio.
O silêncio aqui tem seu lugar, e quando não podemos mantê-lo o rasgamos como o jornal de ontem, de clássica, rock, pop, samba, bossa, forró, sertanejo, axé, jazz, r&b, hip hop, rap, eletrônica, salsa, surf, moda de viola, o que quiser junto, misturado, mixado e Clube da Esquina.
Cortamos as palavras com a faca do queijo, costuramos tudo novamente com as agulhas das costureiras de Santa Tereza, retiramos os termos que não nos parecem necessários ao separarmos o feijão do almoço de domingo e inventamos novos, tão novos que seus sentidos escapam de nós mesmos, mas os mantemos lá, enfeitando a sala de visitas, um presente velado. Clamamos por uma atenção breve pela palavra e dela nos despedimos com um sorriso, para aliviá-la de seu peso sobre a terra e o ar, porque muitas vezes preferiríamos tê-las evitado, como a cachaça da semana passada.
Ser reservado é como ser educado. Seguimos nos resumindo para não desperdiçar o tempo, diminuindo o mundo para nos aproximarmos e nos comunicarmos mais à vontade, fluindo palavras que, de tão próximas, parecem querer se abraçar, ou até mais. Através da afinidade da linguagem, em que meia (ou até uma fração menor) palavra basta, entramos em simbiose com nossas companhias, subindo e descendo, encurtando e alongando os dizeres, moldando e pintando os tons sobre a argila do artesão.
O capricho não está no todo, mas nos detalhes do que nos inspira maior importância. Fazer-se claro e objetivo é utilizar-se de olhares e expressões que podem dizer tudo ou nada, de sons curtos que brotam de nossas bocas, da terra e do asfalto, ora doces, ora duros, ora enigmáticos como a matéria da qual advém.
Nos voltamos para nós mesmos mais uma vez. Desaceleramos uma reflexão, outra observação, anotação concentrada e distraída antes de outro mergulho. Não curamos as nossas mazelas ou nossas misérias, mas nos afastamos dos riscos. Saltitamos pelo muro entre a convenção e o desejo mais inevitável e despudorado em sua ingenuidade, cujo estouro é uma surpresa mais notável aos olhos alheios que aos nossos. Agarramos uma última certeza, para sentir a camada rígida do solo mineral que nos une e desenha na linha do horizonte nossos limites, que nos impedem e nos desafiam à transposição de terras abençoadas e rios lendários, efeito este que para nós parece inexistir em quem cruza tais limites no sentido contrário.
Por notável boa vontade, quase feito, vos recebemos desconfiados, ainda que nossa simplicidade quase viciosa, disfarçada da gentileza e do calor que perdemos nas amigáveis sombras das árvores de nossos caminhos poluídos, acabe por nos escapar e nos tranqüilizar, mais uma vez.
Sentimos o gosto do novo que procuramos desde que aqui estamos, e assim que o sentimos o perdemos e fingimos para nós mesmos que ele ainda está lá enquanto tateamos entre a sincronia oposta e recortada. Nossas retas há muito tornaram-se curvas, amaciando o concreto e nossas preocupações, cujo mar distante não pode acalmar.
Nos desfazemos e nos refazemos do tato à procura do assombro, do incrível, da surpresa. Não do pioneirismo ou do reconhecimento, quando nem os nossos percebemos, mas do oposto perfeito à megalomania, do que está ao lado, tão real que podemos tocá-lo e cheirá-lo, tão irreal quanto os vilões heróicos nos quais depositamos nossos símbolos, nos fantasiamos de italianos, espanhóis, portugueses, japoneses, ingleses, chineses, franceses, e todos os eses e exes que nos encantam e nos aterrorizam nas esquinas.
O dia nasce novamente como um código de posturas que alimenta o corpo. Entre as montanhas somente luz. O calor sempre se atrasa, descongelando nossos corações um pouco mais tarde. Nossos prantos e nossos sonhos foram esquecidos novamente graças à noite, ao conforto e à comida. Se não corresponderam às nossas altas expectativas, um bom café há de resolver, melhor ainda em uma mesa, em uma prosa, sobre a qual nossas reclamações constantes cairão por terra e cairão sobre nós até cairmos com elas e nos levantarmos rumo à próxima esquina.
A poeira brilha sobre as fontes e as praças. O frio evoca a memória dos invernos passados que poliram nossas peles. O verão relembra tempestades anteriores, que lavaram nossas durezas e nossas sujeiras com a esperança dos ipês recoloridos, por nós e conosco. Acendemos velas por eles em nossas mentes.
Lembramos agora do que nos parece verdadeiro, do que levaremos para um dos inúmeros caminhos que poderemos pegar, sem saber ao certo o percurso do destino eterno. O jornal que ontem rasgamos não nos serve mais, se enterra, com livros de páginas amareladas e fotografias em jpeg. Revela-se o mistério do mistério e não precisamos mais nos encontrar. Veja só, nunca estivemos perdidos.
Nos lapidamos nos outros e os outros se lapidam em nós como se o céu limpo se espelhasse na lagoa cristalina de um passado que lembramos sem pesar. Uma casa não menos vazia que um dos antigos prédios art déco, um velho músico vagando levemente pela rua, as sombras das árvores projetando sombras pelo passeio, crianças correndo e um sino de uma igreja ao pôr-do-sol, o banco da praça visto do último andar, as luzes amarelas dos postes sobre a calçada portuguesa, uma dança na esquina acompanhada pelo vento do outono, um sorriso irônico no meio fio de um bar mal iluminado, o dilatar da pupila de olhos negros conforme o ritmo da música, atores de um só palco. De qualquer um uma poesia se desprende e se despede.
- por Rafael Magalhães
domingo, 4 de novembro de 2012
GUTIERREZ
O Gutierrez é um bairro nobre e está localizado na Zona Oeste de Belo Horizonte. Fica a menos de cinco quilômetros do Centro da cidade, possui comércio forte e agitado, com restaurantes, bares, shoppings e agências bancárias; dentre outros serviços. Está localizado em posição estratégica, entre duas regionais (Oeste e Sul) e é circundado por três grandes avenidas: Contorno, Amazonas e Raja Gabáglia. Apesar do perfil residencial, a alta valorização do bairro faz com que algumas casas cedessem espaço gradativamente à escritórios de pequenas empresas, além de empreendimentos residenciais de alto padrão.
Tenham um ótimo domingo!
sábado, 3 de novembro de 2012
TRANSITO URBANO
Ruídos, exageros, desespero,
Pára, anda, desanda,
Calor, frio, fumaça,
Acelera, freia, embaça
Excessos, gritos, agitação,
Frio, calor, que horror!
Tenho pressa, quero seguir,
Mas tem carros a me impedir.
Sinto sono, cochilo, medito.
E buzinas são soadas,
Pois a impaciência impera
No caos dessas estradas.
Veículos de todos os tipos:
Carros, motos, byke, caminhões.
Querem circular ao mesmo tempo,
Pois compromissos todos têm,
E necessitam ao seu destino chegar.
Haja paciência para a confusão enfrentar!
Carros básicos sofrem em demasia,
Quando o calor bate de frente,
Pois sem ar condicionado, não esfria.
Fumaças adentram pela janela,
Poluição sonora e visual perturbam,
Aquela necessária jornada rotineira.
Se isolar do mundo e do barulho,
Fechando os vidros e ligando o som,
Pode até ser uma solução,
Só que se precisa ficar antenado,
Nos sons agudos das sirenes,
Que aumentam mais aquela confusão.
Crianças no carro nesses momentos
Podem complicar e estressar
A pessoas que não estejam acostumadas,
Já que o falatório pode aumentar,
Com brigas, confusões e discussões,
Pois as crianças também ficam irritadas.
Uma boa dica nessa hora
É deixar para lá o estresse
E encarar a confusão numa boa,
Aproveitando para observar
A paisagem que esta ao seu redor,
Sabendo que é situação momentânea.
É possível observar pessoas nas calçadas,
Quantidade de árvores plantadas,
Cores e desenhos das fachadas,
Design e modelos dos veículos,
Avisos das placas de sinalização,
Que podem ajudar a desviar da confusão.
Se tiver passageiros, melhor.
Um bom bate papo pode rolar,
Pois dialogar é sempre útil
Para aproximar as pessoas,
Administrar e agendar programas
E passar o tempo de forma agradável
Cantar também é sempre bom,
Desde que em baixo volume,
Pois quem canta seus males espanta,
Muito bem disse um escritor certa vez,
Mas tome cuidado com excessos,
Pois não se pode perder a concentração.
O caos do trânsito urbano
Faz parte da paisagem contínua
De quem optou por residir na metrópole.
É real, é notícia de telejornal, dá ibope.
Só precisa ter paciência e se organizar
Para sair mais cedo e o trânsito evitar.
- Rosana Nóbrega
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
O CÉU DA CIDADE
Apesar do calor intenso que os belo-horizontinos têm vivido nos últimos dias - com máximas batendo recordes atrás de recordes, junto com pancadas de chuvas isoladas - a intensa variação climática é acompanhada de uma das mais belas representações abstrato-artísticas que a natureza nos oferece diariamente: o céu. Muitos consideram um céu bonito aquele que não possui nuvem alguma, com azul intenso e apenas isso. Eu já fico encantado quando o céu nos presenteia belas formações de nuvens, carregadas ou não, compondo o visual com o tradicional azul atmosférico. Minha paixão pelo céu já rendeu outros textos sobre ele aqui no blog. Eis um texto que escrevi que representa bem o meu fascínio pela abóbada celeste:
Uma ótima noite pra vocês e até amanhã!
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
PERSONAGEM DA SEMANA: O AUXILIAR DOS CACOS
O lubrificador José Márcio Pinheiro da Rocha não esconde seu carinho pela obra que mais marcou sua vida: a Casa de Cacos. Idealizada pelo falecido geólogo Carlos Luís de Almeida, a casa é um dos mais icônicos pontos turísticos da Grande BH. Localizada na rua Ignez Glanzmann de Almeida, em Contagem, a casa, que é referência no mundo todo na arte de mosaico, foi construída entre 1963 e 1989, ano de falecimento do seu criador. Toda a casa, da fachada ao interior - móveis, adornos, eletrodomésticos, estátuas e afins - foram criadas em concreto e revestidas com fragmentos de louça e de vidro. Até o papel higiênico do banheiro e as roupas e sapatos do guarda-roupas foram recriadas com a modalidade, formando em todo o conjunto um mosaico de desenhos coloridos interessantíssimos. A obra ficou internacionalmente conhecida, recebendo doações de cacos de diversos países, além de ilustres visitantes, como Silvio Santos, Chacrinha, dentre outros. Com a morte do autor, a prefeitura de Contagem comprou a propriedade, mas não teve a capacidade de preservá-la, fechando-a para visitação desde 2005. Varias tentativas de restauração da casa, que atualmente se encontra em estado crítico de preservação, já foram levantadas por políticos e secretários de cultura da Região Metropolitana de BH, mas nada foi feito até então. Até o renomado artista plástico e professor da UFMG José Alberto Nemer visitou a obra a fim de avaliar os impactos que o descaso tem feito sobre ela e o que teria que ser feito para restaurá-la. Problemas a parte, a Casa de Cacos é um espetáculo, mesmo podendo-se observar apena sua fachada. Natural de Teófilo Otoni, José Marcio Pinheiro da Rocha, homem que ilustra a foto de hoje, foi o principal ajudante do geólogo na época da construção da obra. Ele conta que, aos nove anos de idade, se mudou com os pais para a residência em frente à Casa de Cacos em uma época a qual não havia nem asfalto na rua. Dez anos depois, aos 19 anos de idade, Rocha começou a ajudar o geólogo visionário à decorar a casa - e não parou mais. "Carlos Luís de Almeida foi mais que um pai para mim. Ele me ensinou a fazer mosaico, me instruiu uma profissão", conta, saudoso. Segundo José Márcio, todos os moradores da rua ajudavam o geólogo a revestir a casa e construir os móveis, levando fragmentos de vidro e louça da própria casa, quando deixavam um utensílio quebrar. "Até a Dona Lucy Geisel mandou trazer cacos vindos de Brasília para ajudar o Dr. Carlos em sua casa", conta José Márcio, sobre a ex-primeira-dama, mulher do ex-presidente Ernesto Geisel. Com a casa se consolidando, Rocha via o sonho do geólogo virar seu próprio sonho. A ideologia envolvida no revestimento da residência com fragmentos de peças de louça e vidro quebradas fez com que a vida de Carlos Luís de Almeida, então aposentado, ficasse focada em sua obra. Após sua morte, a tristeza pairou nos moradores da região, especialmente em José Márcio. Hoje, aos 49 anos, o teófilo-otonense diz se sentir muito consternado ao ver o total abandono da casa. "A Prefeita Marília Campos esteve aí há um tempo atrás, disse que ia tentar reformar a casa, mas nada aconteceu", conta o homem, inconformado com a situação. Dado o valor original e inusitado da Casa de Cacos, a renúncia e o desamparo total por parte das autoridades representam uma grande perda para os turistas e para todos os moradores da Grande BH. Por conta da total negligência apresentada, foi descartada a possibilidade da obra se integrar ao Circuito Cultural Internacional da Região Metropolitana de Belo Horizonte, para a Copa de 2014, ao lado da Igrejinha de Nossa Senhora do Ó, em Sabará; o Museu Contemporâneo de Inhotim, em Brumadinho e as já conhecidas atrações turísticas da metrópole mineira.
- por Charles Tôrres
terça-feira, 30 de outubro de 2012
TRÉGUA
Após duas semanas de calor enérgico em Belo Horizonte, com temperaturas máximas que se esbarraram nos 36,2º, segundo maior recorde da história da cidade, veio hoje a chuva para dar uma trégua e nos aliviar do ardor intenso provocado pelas altas nos termômetros, que despencou para os 22º às 21h, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. Ao que parece, todo o Brasil está passando por situação parecida, com recordes em várias capitais brasileiras. Vamos torcer para que as chuvas venham de vez cessar por um tempo essas hostilidades climáticas, refrescando nossa atmosfera e nos dando um pouco mais de prazer no dia-a-dia, pois a situação já estava beirando o insuportável.
Grande abraço e até amanhã!
domingo, 28 de outubro de 2012
O CÉU, A CIDADE, AS MONTANHAS
Belo Horizonte é uma cidade encantadora. Basta um passeio atento por algumas regiões para ser surpreendido com riquezas e belezas naturais e culturais presentes na capital das Gerais. “Ca” tem a Serra do Curral. Um dos mais belos símbolos de Belo Horizonte. De um lado intocada, feito mata virgem, imponente guardiã da essência histórica da cidade. Do outro, retalhada em suas entranhas... “Ca” tem a Lagoa da Pampulha e seu emblemático conjunto arquitetônico. Simbolismo de outrora, hoje ofuscado pelo tempo... “Ca” tem praças de fontes luminosas, de árvores cujas folhas renovam a liberdade... “Ca” tem parques e reservas ambientais onde ainda é possível encher o pulmão com um pouco de ar puro e fresco, embora a desordem urbana seja ameaça crescente... “Cá” tem danças e ritmos variados, que ecoam das Vozes do Morro, da Zona Sul, seja daqui ou dali... “Ca” tem o Mercado Central, feiras, shoppings, comércios, indústrias, bares e restaurantes... “Ca” tem festivais, shows, comida e comédia de buteco... “Ca” tem aquele pão de queijo que em nenhum outro lugar se encontra... “Ca” tem pessoas alegres, festivas, sonhadoras que fazem de Belo Horizonte uma cidade viva, querida e amada... “Ca” tem pessoas que transitam de um lado a outro para trabalhar, estudar, divertir e movimentar a engrenagem da economia, contribuindo assim para o fortalecimento das relações sociais... “Ca” realmente é uma cidade encantadora, não fosse perder o seu brilho toda vez que chove forte... “Ca”, abruptamente, perde o seu encanto poético, e em poucos minutos oscila do drama ao “CAos”... “CAos" em todas as regiões... “CAos" na rede elétrica, que de tão sucateada pela falta de manutenção e investimentos acaba não agüentando o tranco... “CAos" ambiental com a constante e freqüente queda de árvores danificando o patrimônio público e privado, além de impedir a passagem de veículos e pedestres pelas vias da capital... “CAos" no trânsito e no transporte público, o trem metropolitano simplesmente deixa de funcionar devido o apagão da rede elétrica... “CAos" na economia, uma vez que, comerciantes são obrigados a baixar as portas de seus estabelecimentos sujeitos à perda de mercadorias... “CAos" no ir e vir das pessoas que percebem o quanto Belo Horizonte é refém na falta de investimentos em infra estrutura de modo geral... “CAos" é “CAos", e Belo Horizonte esta caminhando a passos largos para uma situação irreversível... “CA" não comporta mais administradores públicos omissos... “CA" onde tem imperado o “CAos", exigimos mudanças, não o “CAos”. Que Deus nos abençoe “CA”, “LA” e em todo “LUGAR”.
- por Carlos Ramalho
sábado, 27 de outubro de 2012
O PARAÍSO DAS MANGABEIRAS
Paraíso.... o título desta postagem não poderia ser mais apropriado. Em outra ocasião, falei sobre o Parque das Mangabeiras aqui no blog, mas sua beleza exuberante me fez voltar a postar uma nova fotografia. É um dos maiores parques urbanos da América Latina e conta com quase três milhões de metros quadrados, 59 nascentes de água e quase 300 espécies de animais. Localizado no extremo sudeste da cidade, o parque possui acesso fácil e uma gama de atrações e atividades aos seus visitantes. Possui várias quadras de tênis, um anfiteatro a céu aberto, inúmeras lanchonetes e uma das maiores pistas de skate do Brasil. O hall do parque foi projetado pelo paisagista Burle Marx e recebe semanalmente vários espetáculos musicais e teatrais. Mas é no interior do parque que encontramos seus maiores atrativos. Encravado exatamente na divisa entre o Cerrado Brasileiro e a Mata Atlântica, o parque preserva características dos dois biomas e conta com uma flora extensamente diversa. Um verdadeiro Éden encravado em uma das maiores e mais enérgicas metrópoles do planeta.
Um grande abraço e até amanhã!
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
SERRA
O bairro Serra é, provavelmente, um dos bairros de maior contraste da cidade. Situado na Zona Sul de Belo Horizonte, a região acomoda sedes de grandes empresas, edifícios comerciais, casas antiquíssimas, prédios residenciais de alto padrão, clubes, bares, boates, cafés, restaurantes para todos os gostos; e uma das maiores favelas do Brasil, o Aglomerado da Serra, local onde eu me encontrava ao tirar a foto de hoje. Sua diversidade de competências faz com que o bairro tenha vários perfis. Nele encontramos intensas ruas movimentadas o dia todo e ruas calmas como em bairros distantes. Foi cantado em verso e prosa por integrantes da cena cultural mineira em tempos passados, como na música "Ramalhete", do cantor e compositor belo-horizontino Tavito.
Tenham um excelente fim de semana!
Assinar:
Postagens (Atom)

















