sábado, 1 de novembro de 2014

ESTAÇÃO DO MOVE


É curioso como somos reféns do sistema de transporte particular, muito incentivado na gestão de Juscelino Kubitschek, nas décadas de 50 e 60. Carro era o transporte dos tempos modernos; e ter um veículo próprio era (é) sinônimo de status social. É uma filosofia bem estadunidense, porém, se alastrou pelo Brasil agressivamente, mudando completamente a mentalidade dos cidadãos, acostumados até então a andar de trens (no transporte intermunicipal) e bonde (no transporte urbano). BH mesmo chegou a ter 350km de linhas de bonde no final da década de 50! Uma quilometragem considerável, haja vista que a cidade possuía apenas 1 milhão de habitantes. Hoje, com 5 milhões de habitantes, possuímos uma ínfima linha de metrô com parcos 30km de extensão. Mas isso é assunto para outro post... voltando ao ponto, somos escravos de um sistema que nasceu na década de 50 e perdura até os dias de hoje. Quem tem carro não consegue imaginar sua rotina sem ele; e o discurso é sempre o mesmo: o transporte público é ruim... o sistema é falho e não atende toda a cidade... os veículos públicos são sujos... a velha ladainha de sempre. O fato é que quem argumenta tais difamações, em sua maioria, não anda de ônibus ou metrô e não sabe da eficiência atual do transporte público na cidade. É fato que precisamos de MAIS, o que não quer dizer que o que temos seja insuficiente. Eu e minha esposa estamos sem carro já faz algumas semanas, e posso dizer, com certeza, de que é BOM andar sem carro em Belo Horizonte! O metrô é rápido e eficaz por onde ele passa. É cheio, e muito, mas isso só mostra o quanto ele é bom. Se fosse ruim, ficava vazio. Como disse em outro post, os melhores metrôs do mundo (Tóquio, Paris, Nova York, Londres, Moscou, etc.) vivem lotados. Falta mais quilômetros, claro... mais linhas principalmente. Mas a existente atende muito bem os usuários por onde ela passa. Os ônibus não são dos mais confortáveis, mas atendem a cidade inteira, em pontos acessíveis; e o mais bacana: a grande maioria dos carros possuem elevador para deficientes físicos (algo inexistente na maioria das grandes cidades que conheço). Para mim, faltava conhecer o recém inaugurado BRT de BH, chamado de MOVE pela prefeitura. E hoje, precisando dar um pulo na Pampulha, eu e a Lígia nos pusemos a experimentar o sistema pela primeira vez. Logo de cara já nos surpreendemos com o tamanho das estações, bem como a limpeza delas e a organização. O conjunto esbanja imponência! Os monitores de LCD no interior das estações avisam, com precisão, o horário de chegada de cada linha, bem como eventuais imprevistos. Falta um painel explicativo do lado de fora. Lá dentro conseguimos todas as informações que precisamos, mas só entramos na estação ao pagar a passagem. Se você está do lado de fora pode ficar um pouco confuso com aquilo tudo. São muitas estações, uma do lado da outra, cada uma atendendo usuários de regiões específicas. Nada que um Google Maps não resolva. Um outro detalhe interessantíssimo foi a requalificação urbanística no entorno das avenidas por onde passam as vias exclusivas. Tudo muito bem cuidado e alinhado, mesmo em áreas mais degradadas do Hipercentro. O ponto forte são os ônibus: todos articulados, com ar condicionado (ufa! Uma maravilha em dias quentes), LCDs explicativos, câmbio automático (evitando os tradicionais trancos e solavancos dos busões comuns)... tudo muito mundérno! Em sua essência, parece metrô. Só faltou uma atenção maior no acabamento da parte de baixo das portas. Ao abrir, uma porta quase arrancou o pé de minha esposa. Fora esse detalhe, o conjunto da obra impressiona. As estações no Vetor Norte são verdadeiros monumentos engenhosos, com total integração com as avenidas e viadutos da região. E o mais interessante disso tudo foi o tempo de viagem: 20 minutos, do Centro à Pampulha. Como todos os corredores são exclusivos, os ônibus não pegam congestionamento, fazendo com que ele tenha quase a mesma eficiência de um metrô. E isso é fato! Nosso sistema de BRT tem apenas 44 estações, divididas em 23km de linha por enquanto, mas já atende quase 1 milhão de usuários por dia. A expectativa da Prefeitura de BH é dobrar o sistema dentro de 2 anos, fazendo com que ele atenda mais de 2 milhões de pessoas diariamente, especialmente do Vetor Oeste. A moral da história é que faz bem deixar o carro em casa e andar de transporte público. É ecologicamente correto, te ajuda a manter a forma física, auxilia na interação entre as pessoas (algo que está cada vez mais em falta nos ambientes urbanos) e lhe faz conhecer coisas novas, sair do óbvio, prestar mais atenção na cidade, nas pessoas e nas paisagens. Vale a pena! Por um mundo melhor e cada vez mais fraterno. Fé na tábua!

Tenham um ótimo domingo.

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