quarta-feira, 6 de abril de 2016

CITY LIGHTS


Sábia expressão que diz que a noite é uma criança. Instigante e sexy, é o momento do dia em que esquecemos o que são pecados capitais, leis ou moralismos. Não temos deveres nem prestação de contas. Momento de chacoalhar o espírito, saquear corações solitários, apaixonar por sorrisos, chorar pelo vinho derramado. Com o astro maior iluminando o outro lado do planeta, Deus adormece junto com seus mandamentos e as avenidas estão livres como o sangue que corre em nossas veias. Sai Apolo, venha Nyx! É hora de nos sentirmos vivos e demasiadamente humanos, como já dizia o sábio Nietzsche. Hora de partir, de pecar, de extrapolar, de ousar, de experimentar perigosamente. Foi pra lá da madrugada que os grandes ritmos fizeram nome, que os poetas criaram os versos que mudaram a história da literatura. A noite não temos medo de ser quem somos. Mostramos a cara, desnudamos ao luar, nos banhamos de música sob o testemunho estrelar. É a noite que Belo Horizonte deixa de ser tradicional família mineira e se transforma na insaciável vizinha sedutora. Os pães de queijo dormem, as pimentas fazem a festa. Quem ainda não experimentou, fica aí a dica. 

© Charles Tôrres / BH - Uma Foto por Dia

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