terça-feira, 31 de julho de 2012

MOTOCICLISTAS


Ariscos, rebeldes, inquietos, apressados. Os motociclistas de Belo Horizonte testam diariamente o fluxo da cidade como se não houvesse o amanhã. Com cerca de 390 mil motos em toda Grande BH, o trânsito saturado espreme a  crescente frota de veículos entre as ruas e avenidas, fazendo os motociclistas ficarem cada vez mais à margem das faixas de rolamento. E como se não bastasse, o mercado dita que motoqueiro bom é motoqueiro rápido. Os contratantes não querem saber de entregas feitas de moto que demoram o mesmo tempo das entregas feitas de carro. Se o sujeito está numa moto, tem que entregar a mercadoria com um terço do tempo que levaria se estivesse num automóvel. É aí que está o entrave da questão. Açodados, os mensageiros sob duas rodas atuam na circulação conforme o instinto incalculista vos manda. Como vamos reeducar motociclistas adestrados por um mercado sedento e imparcial? Se não forem ágeis, perdem o emprego, ou o cachê no fim do mês é delgado. Mensagens publicitárias advertindo os perigos da motocicleta já não valem mais. O buraco é mais embaixo...

Uma boa noite pra vocês e até amanha!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

NOSTALGIA


O estômago dói como uma úlcera predestinada a me matar. Deu fome, vou buscar um café na esquina. São 3h21' da manhã e eu não aguento mais a película de espiões que se passa no corujão. Meus olhos ardem, pedem por sossego, mas meu corpo amaldiçoado pela insônia insiste em me atormentar. Será que o Seu Caldeira já passou a água no pó? Desço pela escadaria do Financial afim de me esquecer do ocorrido. Sou um velho desprezado pelo tempo e pela minha própria história. Olho a avenida e sinto-me pela madrugada que bordeja a cidade, como uma folha seca navega junto ao vento. Cada destino que ladeia aquela via representa uma passagem em minha humilde biografia. Sozinho, como convém um cidadão que se atreve sair do abrigo naquele horário, acendo o último crivo do maço que me resta a fim de transformá-lo em companhia. Chego ao estabelecimento e noto que Caldeira não se encontra, e sim seu rebento, Tadeu. Insisto em acreditar que Caldeira, meu companheiro de longas jornadas, ainda está ali servindo seu aromático cafezinho. O desespero bate à porta, era o que me restava na vida. Hoje, solitário como Prometeu que perdia o fígado para um pássaro na Antiga Grécia, preferia estar ao lado do velho comerciante cafeeiro...

Charles Tôrres

domingo, 29 de julho de 2012

PARQUE DAS MANGABEIRAS



Considerado um dos maiores parques urbanos da America Latina, o Parque das Mangabeiras conserva uma mata densa e muito diversificada. Fica exatamente na transição entre o Cerrado Brasileiro e a Mata Atlântica, preservando características dos dois biomas. Possui várias quadras de tenis e uma das maiores pistas de skate do Brasil. A etapa principal do parque foi projetada por Burle Marx e conta com uma pluralidade enorme de espécies de flores e pequenas árvores. É um excelente passeio de domingo, tendo como principal atração os animais que vivem soltos no parque, como quatis, micos, esquilos, galinhas-do-mato, gambás, tatus e centenas de espécies de aves. 

Até amanhã!

sábado, 28 de julho de 2012

HERMILO E MÁRMORE


O bairro Santa Tereza é reduto de boêmios na capital mineira. Se não fosse pela atmosfera bucólica, nos sentiríamos na região central de BH, tamanha diversidade de opções para virar e revirar a noite. De pubs roqueiros à elegantes scotch bares, o bairro tem opções para todos os gostos. Foi à partir do Santa Tereza que ressoou para todo o Brasil grandes nomes da música mineira, como o Clube da Esquina, o Skank e o Sepultura. É no bairro que se acomoda o bar e restaurante Bolão, o qual prepara o espaguete mais famoso de Minas Gerais e provavelmente mais famoso do Brasil. Para quem vem visitar Belo Horizonte, é parada obrigatória. 

Um grande abraço pra vocês e tenham um ótimo fim de semana!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O BELO


A estética e a beleza foram objetos de estudo em toda a história da arte e da filosofia. No meio popular, a estética faz referência à beleza e suas proporções. A feiura sempre foi evitada por demonstrar sinais de imperfeição. Já no conceito filosófico, o feio pode vir a se tornar o belo, dependendo da forma como é tratado o objeto exposto. Ao nos expressarmos artisticamente, não estamos preocupados em atingir objetivos que agradem padrões de beleza preestabelecidos pela sociedade. Queremos mostrar algo novo, mesmo que seja a partir de algo velho. Usamos o conjunto da obra e seu contexto social para criar uma peça a ser exibida e apreciada. Isso estimula - tanto no criador quanto no espectador - o interesse em avançar sobre as semióticas predispostas; enxergar além do alcance, sintetizar os pequenos detalhes em grandes perspectivas. Evoluímos nossa capacidade de abstração de conceitos determinados pela massa e conseguimos desfrutar mais de situação posta em nosso cotidiano. Saber apreciar o belo vai muito além do alarido filosófico. Quando estimulamos isso, estamos nos permitindo seguir o fluxo de modo não encontrar barreiras na vicissitude da vida. Essencial para pessoas que buscam algo além do convencional!

Tenham um ótimo fim de semana!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

AMPLITUDE


Ainda que muitos não percebam, há algo demasiadamente excitante em viver em uma grande metrópole. A liberdade de expressão, a criatividade, a galhardia e as possibilidades se potencializam conforme o tamanho da urbe. São locais que nos proporcionam a deliberação de opiniões sem julgamentos. Nas mega-cidades somamos maiores quilometragens no ir e vir sem que isso se torne tedioso, conforme curioso for o cidadão. São tantos eventos e acasos acontecendo simultaneamente que temos uma certa dificuldade de abstrair tudo; e quando não conseguimos ingerir todas as perspectivas com as quais topamos durante o dia, chegamos em casa exaustos. Para entender o que estou querendo dizer, basta passear uma manhã no Centro de Belo Horizonte. Costumo dizer que há mais coisa entre Venda Nova e o Barreiro; e entre Sabará e Betim; que julga nossa vã filosofia. De qualquer modo, as metrópoles para mim são sinônimos de emancipação. Nelas, temos autonomia para fazer, refazer, mudar, voltar, criar, tentar novamente. Ousamos, persuadimos, somos persuadidos, nos inspiramos. Corremos contra o tempo e à favor dele. Lugar de se misturar invisivelmente na multidão. As possibilidades beiram o infinito de modo desconhecermos cada vez mais o mais explorados espaços. Quando contraímos o espírito metropolitano, destememos e quebramos quaisquer que sejam os padrões, a fim de conviver com o novo. Vivam os milhões de habitantes e suas opiniões. Viva o pão de queijo que ainda me surpreende, mesmo sendo meu velho conhecido.

Um grande abraço pra vocês e tenham uma excelente sexta-feira!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

TANGENTE



Hoje vou passar a vez do texto para o grandioso Drummond:


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Ser Mineiro

Ser Mineiro é não dizer o que faz, nem o vai fazer,
é fingir que não sabe aquilo que sabe,
é falar pouco e escutar muito,
é passar por bobo e ser inteligente,
é vender queijos e possuir bancos.

Um bom Mineiro não laça boi com imbira,
não dá rasteira no vento,
não pisa no escuro,
não anda no molhado,
não estica conversa com estranho,
só acredita na fumaça quando vê o fogo,
só arrisca quando tem certeza,
não troca um pássaro na mão por dois voando.

Ser Mineiro é dizer "uai", é ser diferente,
é ter marca registrada,
é ter história.
Ser Mineiro é ter simplicidade e pureza,
humildade e modéstia,
coragem e bravura,
fidalguia e elegância.

Ser Mineiro é ver o nascer do Sol
e o brilhar da Lua,
é ouvir o canto dos pássaros
e o mugir do gado,
é sentir o despertar do tempo
e o amanhecer da vida.

Ser Mineiro é ser religioso e conservador,
é cultivar as letras e artes,
é ser poeta e literato,
é gostar de política e amar a liberdade,
é viver nas montanhas,
é ter vida interior,
é ser gente.

Carlos Drummond de Andrade

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Uma boa noite pra vocês e até amanhã!

terça-feira, 24 de julho de 2012

ATMOSPHERE


Vinho, café, jazz, Savassi...
sirenes, suspiros, sinais, Centro...
lago, arquiteto, avião, Pampulha...
nobreza, vidro, mármore, Belvedere...
morro, reboco, favela, Papagaio...
indústria, metal, metrô, Contagem...
botas, judas, quilômetros, Confins...
roupa, sapato, tecido, Barro Preto...
história, barroco, barraco, Sabará...
italianos, franceses, esnobes, Lourdes...
povo, comércio, densidade, Venda Nova...
densidade, povo, comércio, Barreiro...
química, mecânica, elétrica, Betim...
tradição, rock'n'roll, espaguete, Santa Tereza...
autarquia, imponência, público, Santo Agostinho...
cimento, espírita, espátula, Pedro Leopoldo...
teatro, música, trem, Horto...

Vinho, café, jazz, sirenes, suspiros, sinais, lago, arquiteto, avião, nobreza, vidro, mármore, morro, reboco, favela, indústria, metal, metrô, botas, judas, quilômetros, roupa, sapato, tecido, história, barroco, barraco, italianos, franceses, esnobes, povo, comércio, densidade, química, mecânica, elétrica, tradição, rock'n'roll, espaguete, autarquia, imponência, público, cimento, espírita, espátula, teatro, música, trem, avenida, expressa, fotografia, dança, pão, baguete, política, noite, devassa, sexy, cultura... Belo Horizonte!

Metrópole das ruas sem fim... da gíria tupiniquim... do pão de queijo com cafezim... conurbada com Betim e longe de Baldim. Metrópole da atmosfera pulsante e inquieta, como um house a 800 RMS. Não para, não morre e não se dá por vencida...
pois é brasileira e não desiste nunca!

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Uma ótima noite pra vocês e até amanhã!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

TERRA DE GIGANTES


Que mineiro é desconfiado, ninguém duvida. Mineiro desconfia se o pão de queijo assou por dentro; se o bujão de gás foi comprado cheio; se o motorista vai parar no sinal fechado; desconfia da esmola farta e da recompensa enxuta; desconfia da vizinha; do chefe; da empregada; do açougueiro; do turista; do fotógrafo de rua; do maquinista do metrô; do político Joaquim e da santa do pau oco. Mineiro é tão desconfiado que tem semblante hostil mesmo sendo um poço de delicadeza. Crocante por fora, macio por dentro. Nacionalmente idolatrado por sua maestria em acolher bem, possui uma dificuldade enorme em abrir seu coração de primeira. Por outro lado, após aberto, é amigo pro resto da vida, daqueles que podemos contar pro que der e vier. Trabalhador por natureza, o próprio gentílico denuncia: mineiro é competente em tudo o que faz. Belo Horizonte é uma terra formada por essa gente... gente com fé na tábua e suor na inchada. Gente que soube transformar uma cidade de vários milhões de habitantes em um lugar aconchegante e maravilhoso de se viver. Metrópole do café, do queijo, da boa prosa e dos grandes amigos. Terra de gigantes pela própria natureza.

Tenham uma excelente noite e até amanhã!

domingo, 22 de julho de 2012

SANTA INÊS


O Santa Inês é a essência da Zona Leste de Belo Horizonte. Tranqüilo e com pouco movimento, sua atmosfera beira o bucolismo. É um bairro de classe média, abraçado à oeste pela linha de metrô (o bairro possui duas estações) e à leste pela Avenida Contagem. É o último bairro do extremo leste do município, já que, do outro lado da avenida citada, temos o bairro Ana Lúcia, já no município de Sabará. Possui ruas com arborização frondosa e casas bem antigas e muito estilosas, muitas datadas entre as décadas de 40 e 60. Conta com 10 mil habitantes, sendo que uma boa porcentagem das residências vivem simpáticos casais idosos. É comum passarmos pelo bairro de manhã e vermos velhinhos varrendo a varanda e a calçada em frente sua casa. 

Uma boa noite pra vocês e tenham uma ótima semana!

sábado, 21 de julho de 2012

ALUGA-SE ANDAR CORRIDO


No Centro de Belo Horizonte percebemos o quanto as pessoas nos dias de hoje andam com pressa. Muita pressa! No coração comercial e financeiro da metrópole das alterosas nos esquecemos que estamos num estado conhecido nacionalmente por sua atmosfera bucólica e interiorana. O vai e vem é intenso... e não é pra menos. Com milhares de restaurantes, bancos, lojas, escritórios, empresas e alguns shoppings, o Hipercentro é a principal região da cidade. De lá o cidadão belo-horizontino pode "tomar" seu ônibus ou metrô pra qualquer zona da urbe, sem exceção. Alguns poucos minutos que passamos pelo centro já são o suficiente pra nos deixar um pouco transtornados e cansados, especialmente pessoas (como eu) que costumam ir pouco ao lugar. Apesar disso, em minha opinião, é a melhor região da cidade! Lá tem tudo, pra qualquer tipo, gosto ou situação. Os grandes museus da metrópole ficam no Centro... os maiores espaços culturais também. Além de excelentes cafés, pubs, teatros e cinemas. Para os turistas, é parada obrigatória. Não tem lugar melhor na cidade para conhecermos o espírito de Belo Horizonte e seus habitantes.

Grande abraço pra vocês e tenham um ótimo domingo!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

EMOLDURADA


Minas Gerais


Sob céus mineiros, onde o sol derrama sombras pelas alterosas.
História lavada em sangue e honra de um povo sábio e heróico.
Cidades que se opõe ao firmamento, exaltando sua glória.
Vales de sagacidade sem fim.


As montanhas cercam e reúnem,
aqueles que, sob sua influência,
sabem o valor do silêncio,
e conhecem a essência.


Sons e cheiros do campo,
sedutores e inebriantes.
Noites estreladas e calmas,
e um belo olhar no horizonte. 


De tantos caminhos e destinos, quase toco as nuvens.


Em um mirante, sempre sinto a força do vento.
Uma paisagem qualquer sempre trás doce lembranças.
Nas florestas um caminho, uma senda.
Testemunhamos a vida bem na fonte.


Onde as raízes se misturam ao Minério de Ferro,
e outros tão preciosos metais.
Foi nesta terra de brilho,
em que me apaixonei por Minas Gerais.


Poesia de Diogo Nicolas M. Teixeira

quinta-feira, 19 de julho de 2012

JABÓ




Uma cidade com cinco milhões de habitantes sabe guardar suas surpresas. A cerca de 30km da última fronteira urbana de BH, a sede de Jaboticatubas possui pouco mais de 10 mil habitantes, se mostrando uma pacata e agradável cidadezinha. Pertencente à Região Metropolitana de Belo Horizonte (eis o motivo da fotografia estar presente neste blog), Jabó, como é chamada, nem de longe se parece com um distrito de uma grande metrópole. Um desavisado que chega ao lugarejo sem passar pela massa metropolitana ao lado, acha que se encontra em um município encravada no sertão mineiro, longe pelo menos 200km de qualquer resquício de modernidade e desenvolvimento. Cidade de gente tranquila e acolhedora. Entre 50% e 70% da população (não se sabe ao certo) trabalha, se diverte ou estuda em BH. Acredito que, por esse motivo, anexaram ela recentemente à Grande Belo Horizonte.

Abraços a todos!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

NYX


Sábia expressão que diz que a noite é uma criança. Instigante e sexy, é o momento do dia em que esquecemos o que são pecados capitais, leis ou moralismos. Não temos deveres nem prestação de contas. Momento de chacoalhar o espírito, saquear corações solitários, apaixonar por sorrisos, chorar pelo Smirnoff derramado. Com o astro maior iluminando o outro lado do planeta, Deus adormece junto com seus mandamentos e as avenidas estão livres como o sangue que corre em nossas veias. Sai Apolo, venha Nyx! É o momento de nos sentirmos vivos e demasiadamente humanos, como já dizia meu sábio Nietzsche. Hora de partir, de pecar, de extrapolar, de ousar, de experimentar perigosamente. Foi pra lá da madrugada que os grandes ritmos fizeram nome, que os poetas criaram os versos que mudaram a história da literatura. A noite não temos medo de ser quem somos. Mostramos a cara, desnudamos ao luar, nos banhamos de música sob o testemunho estrelar. É a noite que Belo Horizonte deixa de ser tradicional família mineira e se transforma na insaciável vizinha sedutora. Os pães de queijo dormem, as pimentas fazem a festa. Quem ainda não experimentou, fica aí a dica. 


Tenham uma excelente noite e até a próxima!

terça-feira, 17 de julho de 2012

FILHO DA SOARES


Uma das coisas mais interessantes em Belo Horizonte é sua miscigenação racial, étnica e social. Mesmo que muitos não concordem com esse fato, especialmente os mais abastados (os quais normalmente preferem viver numa vida segregada), na grande metrópole mineira temos contato com todo tipo de gente, o tempo todo, seja numa feira, num bar, no centro da cidade, num shopping ou num grande evento. Os bairros mais pobres da metrópole se fundem com os mais ricos de uma forma orgânica e impessoal. Se misturam sem pedir licença. As camadas sociais estão interpostas de tal maneira que é comum não sabermos onde nos enquadrar nessa história toda. Enquadrar pra quê? Não sou socialista, mas não concordo com segregação. Me inspira ver o Morro do Papagaio (uma favela) entre o São Pedro e o São Bento (dois entre os mais nobres da cidade). Sou completamente contra qualquer tipo de preconceito, seja por qual for o motivo. Se temos problemas sociais, uma das melhores maneiras de exterminá-lo é o conhecendo e convivendo com ele. E o Concórdia é um exemplo desse tipo de  unificação. Encravado no coração da metrópole, entre as duas principais avenidas que ligam o centro à região norte da cidade, é dos bairros mais antigos de Belo Horizonte. Nasceu a partir de um loteamento criado no local para abrigar famílias que moravam na Praça Raul Soares. Fica ao lado de bairros nobres como o Silveira e o Cidade Nova, bairros de classe média como o Bairro da Graça e Renascença; e uma favela, a Pedreira Prado Lopes.

Tenham uma ótima noite e até amanhã!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

MAIS DO MESMO

(foto feita com a câmera de um celular)


“O verdadeiro ato de descoberta não consiste na busca de novas terras, mas em vê-las com novos olhos”.

O francês Marcel Proust não poderia estar mais lúcido ao conceber essa frase. Somos frutos da imposição de um sistema regido pela rotina e pela sequência de fatos diários, que nos colocam numa cadeia de acontecimentos, ora distintos, ora semelhantes... os quais, mesmo que interpostos, fazem do conjunto uma massa de única e inalterável. Somos programados a estudar pra entrar na faculdade, formar pra conseguir um bom emprego, trabalhar pra conseguir uma promoção, nos exercitar pra ter saúde, ver notícias pra ter o que comentar, se impor para não se abalar, acreditar em um deus pra não ter medo do dia seguinte. Nos vangloriamos por ter opinião formada, mas poucos se tocam que essa opinião não passa de uma reestruturação do conceito de outro indivíduo. Por mais que tentamos olhar pra frete ou para o alto, nossa visão periférica sempre vai enxergar o próprio nariz. Na teia em que vivemos raramente olhamos para os lados. Mas quando olhamos, descobrimos um mundo novo. Um mundo de possibilidades. Um mundo onde podemos construir outros mundos, mesmo que dentro do próprio quarto. Quando aprendermos a enxergar as coisas além do mostrado, estamos nos instruindo a dar valor às pequenas coisas, dar mais doçura ao nosso dia-a-dia e descobrindo novas possibilidades. Essa é minha filosofia. Aqui no meu blog eu quero mostrar pra vocês uma visão diferenciada da nossa belíssima cidade e aprendendo, junto com vocês, a olhar além do alcance, em busca de novos horizontes dentro da nossa Belo Horizonte!

Uma boa noite pra vocês e até amanhã!

domingo, 15 de julho de 2012

KAROL JÓZEF WOJTYLA



Nem toda praça em BH é fruto de um cruzamento entre grandes avenidas. Algumas, em especial a Praça do Papa (foto), representa o ponto final da trajetória de determinada via. Encravada aos pés da Serra do Curral, em meio à um dos bairros mais nobres da cidade, a famosa praça é um dos principais pontos turísticos para quem vem visitar a capital mineira. Seu entorno é exuberante e o clima lá em cima é sempre ameno. Mas o que mais chama atenção de quem vai à praça é a vista! Na Praça do Papa temos a impressão que, ao passarmos pelo último cruzamento entre avenidas, antes de chegar ali, escolhemos o caminho certo. O caminho que nos levou à um Belo Horizonte! Uma metrópole com alma, com história, com trejeitos e com sentimentos. Uma metrópole erguida por gente idealista. Não é atoa que Karol Józef Wojtyla, o referido papa que sugere o nome da praça, exclamou: "Pode-se olhar as montanhas e Belo Horizonte, mas sobretudo quando se olha para vocês, é que se deve dizer: que belo horizonte!". Como podem ver, as praças da cidade se revelam poéticas mesmo fora dos cruzamentos.

Grande abraço para vocês e tenham uma ótima semana!

sábado, 14 de julho de 2012

PRAÇA DO ESTANDARTE



Cruzamentos de ruas ou avenidas são interseções que costumam me colocar em profunda reflexão. Ali, naquele ponto, você tem várias opções de caminho a seguir. Costumamos já ter em mente qual percorrer... ou estar predestinados a seguir determinado percurso. Mas já parou pra pensar que, ali, você está num ponto o qual costuma ter três, quatro ou mais destinos distintos? Nunca se perguntou onde daria cada uma daquelas vias que ali se intersectam? A vida costuma nos pregar peças parecidas. Te coloca em situações em que você pode escolher pegar o caminho mais fácil e confortável, o qual você já está acostumado e sabe onde vai dar. Conhece cada centímetro daquilo ali. Parece bom... mas é fastio! O cidadão urbano moderno é criado para percorrer caminhos já exaustivamente seguidos pelos outros, como se aquilo ali fosse o sinônimo do sucesso. Raramente paramos num cruzamento para analisar onde cada um daqueles caminhos podem nos dar e quais surpresas nos esperam no final de cada percurso. Essas encruzilhadas ferem, instigam, deprimem e/ou excitam as almas mais inquietas. Na região central de Belo Horizonte todos as interceptações entre avenidas recebem o nome de praças. Praça da Savassi, Praça Sete, Praça Tiradentes, Praça do ABC, Praça da Bandeira (canto inferior esquerdo da foto), dentre muitas outras. Essas praças nada mais são que avenidas que se fundem, mesmo por um breve momento, para depois cada uma seguir novamente para onde foram predestinadas. Numa praça um cidadão faz uma pausa, senta-se, relaxa, reflete sobre sua vida para depois continuar seguindo. Poética a forma que nossa querida capital mineira distingue seus cruzamentos entre vias...

Tenham uma excelente noite de sábado e até a próxima!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

BOÊMIA



Com um leque enorme de opções de lazer e entretenimento, a noite em Belo Horizonte nos reserva muitas surpresas. É um dos mais diversificados polos gastronômicos do Brasil, concentrando inúmeros restaurantes temáticos para os mais diversos e exigentes paladares. Além dos árabes, tailandeses, italianos, mineiros, japoneses, nordestinos, chineses; dentre muitos outros; a metrópole mineira abriga o único restaurante de comida iraniana do país. Além da gastronomia, a cidade possui uma diversidade enorme de danceterias e casas de eventos, além dos tradicionais bares típicos. Costumam dizer que a cidade é a capital do boteco. Eu digo mais, Belo Horizonte é a capital da boemia!

Aceitam um pedaço de pizza?

quinta-feira, 12 de julho de 2012


PAMPULHA AO CAIR DA NOITE




Há fases em nossas vidas que todos precisamos de renovação. Seja no visual, no espírito, no modo de pensar e agir. As vezes nos renovamos para encontrar uma paquera; para uma entrevista de emprego ou mesmo para ir na padaria. Mas existem momentos críticos da nossa existência que precisamos de uma renovação profunda em todos os aspectos. Ou nos renovamos ou decretamos a extinção do fogo que há dentro de todos nós. Tem gente que passa por tal metamorfose aos 30 anos de idade. Outros preferem deixar para os 60. Alguns se renovam aos 80. Independente do momento em que nos renovamos, a mudança costuma ser sempre extraordinária. Trocamos de pele, apagamos as cicatrizes, deixamos o passado para viver um glorioso futuro. E é por essa renovação que o Mineirão está passando nesse exato momento. Com cerca de 2700 operários trabalhando a todo vapor, o atual segundo maior estádio do país (e 29º do planeta) está sofrendo uma profunda transfiguração interna e externa para receber o maior evento esportivo que o Brasil já acomodou: A Copa do Mundo. O estádio, de quase cinquenta anos de idade, recebeu posição de destaque no evento e figurará entre os três mais importantes palcos do tão aguardado espetáculo quadrienal. Que venha outros cinquenta recheados de grandes conquistas para um dos maiores orgulhos de Minas Gerais.

Grande abraço à todos!